Durante a Jornada em Curitiba, Universidade é das crianças que vivem da agroecologia

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Ciranda Gralha Azul possibilita o direito da criança ao cuidado e educação durante o trabalho das mães na Jornada de Agroecologia 

Por Paula Zarth Padilha

Dobradura, teatro, desenho, massinha, combinado (ops), música, contação de história, acolhimento. Assim está descrita a rotina de atividades na parede da sala do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros, localizada no prédio histórico da Universidade Federal do Paraná. 

Durante a Jornada de Agroecologia, realizada em Curitiba de 29 de agosto a 01 de setembro, a UFPR recebe, além dos habituais estudantes de graduação, 32 crianças, filhas de trabalhadoras da feira agroecológica, instalada na Praça Santos Andrade.

Os cuidados com formação, alimentação e atendimento dos pequenos são realizados por 15 educadoras que têm como experiência o trabalho nas escolas itinerantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), uma das entidades que organiza a Jornada e tem como bandeira de luta a Reforma Agrária popular e o cultivo de comida sem veneno, agroecológicos.

“Para mim, o mais bonito da Ciranda é esse cuidado na formação. Saber a importância da música, da brincadeira, a importância da infância. A sementinha que a gente planta neles vai germinar”, explica a pedagoga Tatiane Pereira, coordenadora da Frente de Educação Infantil do MST no Paraná, que atua na Escola Latino-Americana de Agroecologia, localizada no Assentamento Contestado, na Lapa.

A Ciranda Gralha Azul funciona das 8h às 12h e das 14h às 18h, com intervalo para o almoço, mas as crianças recebem lanche da manhã e lanche da tarde. Iogurte da reforma agrária, frutas e pão com queijo e “salame”, diz o garotinho. As meninas usavam uma tiarinha na cabeça, com enfeites de mãozinhas. Os meninos também. Bola, bambolê, espaço de brinquedos, espaço do soninho, sala ensolarada, dentro da universidade, durante a programação da Jornada.

“É um espaço pedagógico para acolher com equilíbrio entre cuidar e educar. É um ambiente de luta, de formação de militantes”, explica Tatiane. Neste sábado, 31, as crianças da ciranda vão para a praça, acompanhar o cortejo de batucada, o compartilhamento de sementes na mística final da Jornada, e realizar intervenções. Os pequenos militantes serão ativistas em defesa da Amazônia. 

Para Tatiane, que coordena as cirandas itinerantes, como a da Jornada, e também as permanentes, nos assentamentos e acampamentos do movimento, esse bonito espaço de luta é importante porque além de assegurar o direito da criança às atividades lúdicas, de lazer e brincadeiras, também assegura o direito da mulher em participar da Jornada. “Mães que só puderam vir trabalhar por conta do espaço da ciranda”, afirma.

Foto: Bruno Alves

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