Em Curitiba, Jornada de Lutas faz vigília para protestar por justiça social

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Devolvam o meu país; Devolvam a democracia e o direito de sermos livres. Não queremos um estado que reze, mas que nos respeite e permita rezar”. As palavras da mãe de santo, Célia Gonçalves, integrante da Coordenação Nacional de Entidades Negras, foram alguns dos clamores por justiça social que a cidade de Curitiba ouviu de cinco mil pessoas dos mais diversos movimentos sociais e determinações religiosas, que se encontraram na Praça Tiradentes na noite de terça-feira (9).

Contrariando os inúmeros boatos de cancelamento e driblando as sucessivas tentativas de desmobilização, a Vigília Inter-Religiosa em Defesa da Democracia e dos Direitos dos Trabalhadores e das Trabalhadoras, uma das atividades da Jornada de Lutas que reúne em Curitiba nesta semana militantes de causas sociais de todos os cantos do País, já pode ser considerada um dos momentos mais marcantes de toda a programação da Jornada.

Com velas, místicas, músicas, caminhada e muita acolhida, lideranças religiosas de dez denominações diferentes uniram seus sentimentos de solidariedade aos trabalhadores e trabalhadoras brasileiros e também seu protesto diante dos retrocessos e da perda de direitos conquistados ao longo de décadas de lutas populares.

Estão roubando nosso direito ao trabalho, nos precarizando e apontando a estrada da escravidão”, disse o representante o Movimento Evangélico Progressista, Ariovaldo Ramos. “A solidariedade é um valor cada vez menos atendido e priorizado no dia a dia. Essa é um luta por direitos de todos nós”, completou o diretor de comunicação social da Sociedade Beneficente Muçulmana do Paraná, Omar Nasser.

Foto: Roberto Parizotti

Dom Naudal Gomes, bispo da Diocese Anglicana do Paraná, disse que participar da Jornada de Lutas Pela Democracia é uma manifestação de coerência com os princípios cristãos. Para ele, a igreja precisa estar sempre junto ao seu povo, ouvindo suas necessidades, dores e alegrias e lutando para que nenhum direito seja retirado das pessoas. “O impacto dessa retirada de direitos é o empobrecimento e a diminuição da qualidade de vida do nosso povo”, argumentou Dom Naudal.

A yalorixá Yia Cris da Osun ressaltou a importância da visibilidade e do respeito às manifestações das matrizes africanas, como o candomblé e a umbanda. “Curitiba é uma cidade com alto índice de crimes e de violência causados pelo preconceito religioso, racial e por diversas formas de discriminação. “Todo momento em que pudermos nos manifestar e darmos visibilidade a essas questões, é importante e educativo”, argumentou.

Quem também manifestou na Vigília em Curitiba seu protesto diante da conjuntura política e econômica atual foi o representante da Igreja Católica, Padre Volnei Carlos de Campos. “Não podemos nos calar diante das injustiças. Que nós sejamos homens e mulheres que saibamos exigir os direitos do nosso povo”, disse o Pe. Volnei.

Milhares de militantes que estão acampados em Curitiba para acompanhar o depoimento do ex-presidente Lula na Justiça Federal e que caminharam do bairro Rebouças à Praça Tiradentes, monitorados por helicóptero e drones das forças de segurança pública, também demonstraram a natureza pacífica e organizada dessa militância que só quer ser demonstrar sua solidariedade, seu apoio a Lula e defender um processo justo e isento de interesses particulares ou de perseguições políticas.

Com isso, mais uma vez, a vigília inter-religiosa contradisse os inúmeros factoides e os vários boatos ‘terroristas’, que visam criminalizar os movimentos sociais e levar pânico na população. “Não caiam em boatos. Nós viemos em missão de paz e assim passaremos o dia todo juntos na Praça santos Andrade, concentrados em apoio ao companheiro Lula”, disse Gilberto Carvalho, da campanha “Um Brasil Justo Para Todos e Para Lula” e integrante da Frente Brasil Popular. “Curitiba não é um reduto da intolerância, mas a cidade de um povo lutador, que fez aqui uma das maiores greves gerais no País no dia 28 de abril”, acrescentou.

Participaram da vigília dirigentes das centrais sindicais, de movimentos populares, de partidos políticos, além de senadores, deputados e do governador do Piauí, Wellington Dias. “Não é o Lula apenas quem estará sentado e prestando depoimento amanhã. É a democracia e os direitos do povo brasileiro que estão sendo questionados e ameaçados”, disse o governador.

A última liderança religiosa a se pronunciar na Vigília Inter-Religiosa em Defesa da Democracia e dos Direitos dos Trabalhadores e das Trabalhadoras foi a pastora Rome Bencke, da Igreja Luterana e representante do Conselho Nacional das Igrejas Cristãs (Conic). E fechou o ato com palavras de esperança e que destacaram a grandeza da atividade. “Olhem como é bonita a diversidade das bandeiras dos movimentos sociais: dos sem terra, a bandeira LGBT, do feminismo, enfim, as bandeiras que carregam as reivindicações populares”, finalizou.

Por Thea Tavares

Fotos: Roberto Parizotti

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