Fruet no listão dos caloteiros

Compartilhe esta notícia.

Por Manoel Ramires

Pinga-Fogo, Terra Sem Males

O prefeito Gustavo Fruet (PDT) está em missão oficial no México. Lá, recebe mais um prêmio em nome da cidade. Dessa vez sobre comunidades sustentáveis. Desde que foi rechaçado pelo eleitor curitibano, não indo nem para o segundo turno eleitoral, Fruet tem tentado imprimir ao restante de mandato uma boa imagem de gestor, destacando prêmios, inaugurações e honrarias. Contudo, o governo dele não acaba exatamente em 31 de dezembro. Os compromissos assinados por ele e os “possíveis calotes” serão um grande pepino para o próximo prefeito, Rafael Greca.

Fruet disse, no começo de novembro, que não deixa nenhuma bomba relógio para a próxima gestão. Ele destaca ter herdado dívidas de R $ 446 milhões de Luciano Ducci (PSB) em 2013. Montante esse que era desconhecido até “abrir os cofres” da Prefeitura de Curitiba.

Agora, quem acompanha o legislativo de perto, pode ver que o Fruet está deixando diversos rojões para serem administrados a partir de 2017. Os dois mais recentes envolvem os municipais e o contrato do lixo. Se falta dinheiro no fim de gestão, vai tudo sendo empurrado no crediário com apoio da bancada governista.

Parcelar o lixo

Na Comissão de Constituição e Legislação da Câmara Municipal tramita projeto de lei que “solicita autorização para parcelar em 36 vezes uma dívida de R$ 30.282.264,44 com o Consórcio Intermunicipal de Gestão de Resíduos Sólidos Urbanos (Conresol)”.  Há quase um mês, Greca, em encontro com Fruet, havia pedido transparência na licitação do lixo. “Isso (nova licitação) não se faz no apagar dar luzes”, disse o novo prefeito.

Aliás, em agosto de 2016, o Terra Sem Males revelava que o contrato entre a empresa CAVO Serviços e Saneamentos e a Prefeitura de Curitiba tinha sido renovado às vésperas de seu encerramento. Firmado em abril de 2011 pelo prefeito Beto Richa, o contrato vinha sofrendo diversos aditivos e seria encerrado definitivamente no dia 25 de agosto de 2016 com o valor de R$ 629 milhões iniciais e R$ 750 milhões efetivamente pagos. Esse contrato foi prorrogado até 2017. Na sequência, de acordo com o Portal da Transparência de Curitiba, o contrato assinado em 26 de abril de 2011 vai ser estendido até 26 de abril de 2017.

Gosta de parcela

O parcelamento de dívidas da Prefeitura de Curitiba se tornou comum na gestão Gustavo Fruet. Um dos valores mais alto diz respeito à previdência dos servidores municipais. Após deixar de pagar sua parcela para garantir a saúde financeira do IPMC, Fruet aprovou lei que parcela em 60 vezes (até 2021) a dívida de R$ 210 milhões. Ou seja, Greca vai passar todo seu governo pagando uma dívida que Fruet criou.

Novo calote

Talvez do México Fruet não escute a indignação dos servidores municipais com a sua gestão. Eles foram surpreendidos no dia 28 de novembro com um novo calote em seus contra cheques. A gestão municipal simplesmente deixou de pagar descanso semanal remunerado, horas extras e férias. Ou seja, foi cortado todo aquele dinheirinho que vem a mais.

Os trabalhadores já se preocupam com o calote no décimo terceiro. Motivos têm para isso. Em 23 de dezembro de 2014, o prefeito editou decreto em que não pagava horas extras e progressões na Guarda Municipal e Saúde, por exemplo.

Greca, pague as férias

Outro rojão que Fruet tenta deixar para próxima gestão é o pagamento das férias dos municipais, principalmente na Educação. Antes, esse pagamento ocorria em dezembro. Com o projeto de lei em discussão na Câmara Municipal, o pagamento é efeito dois dias antes do início das férias. Outra alteração é de que ao invés do dia 2 de janeiro, o começo das férias dos professores foi postergado para 4 de janeiro. Com isso, ao invés de receberem o valor em dezembro, ainda na gestão Fruet, o valor fica para ser pago em janeiro, já no governo Greca. Os municipais, dessa maneira, temem uma moratória no começo de 2017.

anuncio-tsm-posts

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *