Gentileza gera gentileza: sempre

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Um olhar, um sorriso, um toque.

A sensibilidade de perceber o outro.
Não podemos dizer que é raro. Mas também não há como afirmar que é uma atitude rotineira.
Observar, muitas vezes, foge do nosso dia a dia. É o vai e vem desenfreado. A necessidade de responder às demandas do trabalho, de casa, da família. E quando menos esperamos cobramos – e também somos cobrados pela falta de atenção.

Dar o lugar no transporte coletivo. 
Ceder a vez na fila do supermercado ou no trânsito.
Atender uma solicitação.
Além de boas maneiras, tudo isso também pode ser chamado de altruísmo – o dom de amar gratuitamente o próximo.

Em grandes tragédias, como a enchente que assolou o estado de Alagoas e Pernambuco e deixou milhares de desabrigados em 2010 e 2011. Ou ainda, no incêndio que causou mais de duzentas mortes no Rio Grande do Sul, no início de 2013, é notória a participação de quem tem este dom de se doar sem nenhum interesse.

Uma teoria do Instituto Santa Sé, nos Estados Unidos, diz que foi graças à amabilidade que a espécie humana prosperou. A chamada “sobrevivência do mais gentil”. O professor americano Sam Bowles analisou sociedades antigas e verificou que a gentileza era componente fundamental da sobrevivência das comunidades.  “Os altruístas cooperam e contribuem para o bem-estar dos outros integrantes da comunidade.”

O filme “A corrente do bem”, da diretora americana Mimi Leder, mostra o resultado de atitudes de quem estende a mão para o próximo, com qualquer uma dessas atitudes. Na película, um professor lança um desafio aos alunos: criar algo que possa mudar o mundo. Um dos estudantes inventa um novo jogo. A regra é simples: A cada favor que recebido, o participante retribui a três outras pessoas. A ideia funciona.

José Datrino, o ‘profeta Gentileza’ parecia entender o valor de passar a mensagem: “Gentileza gera gentileza”.

A figura surgiu após um incêndio em 1961 que causou a morte de quinhentas pessoas, a maioria crianças, num circo em Niterói. É o que conta “O espetáculo mais triste da terra”, livro do jornalista Mauro Ventura. Abalado e garantindo ter tido uma revelação divina, Datrino decidiu a partir do episódio sair pelo mundo pregando a ternura. Personagem urbano da cidade do Rio de Janeiro entre os anos de 70 e 90, escolheu 56 alicerces do viaduto da Avenida Brasil para registrar seu incentivo a uma vida com amor e gentileza. “Não usem problemas; não usem pobreza; usem amor e gentileza.”

Por Silvia Valim
Professorando, Terra Sem Males

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