Greca: até que a crise nos separe

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Por Manoel Ramires
Terra Sem Males

Rafael Greca retorna à Prefeitura de Curitiba sob o signo da desconfiança. Dificilmente a sua vitória lhe dará a tradicional “lua de mel” de cem dias com o eleitorado. Greca foi o candidato “namorador” que quis agradar muita gente prometendo rosas, chocolates e viagens à população. Na prática, a primeira pisada de bola será suficiente para acusá-lo de traição.

Sem benção

Nesse novo casamento com a cidade, Greca já deve explicações aos curitibanos. Seus 461 mil votos serão contestados frequentemente pelos 867 mil votos – ou não votos – que não apostaram na sua candidatura. Questionamento dentro da nova dinâmica no Brasil em que “os derrotados” podem não aceitar o resultado da eleição ou tentar impor sua agenda.

Passado sombrio

Mesmo que tente esquecer, Greca será lembrado constantemente pelas polêmicas que envolveram sua campanha. São elas o sumiço de peças da Casa Klemtz que ele não esclareceu. O fato de sentir nojo e vomitar com pobres. Os desastres dele como gestor quando deixou caravela naufragar ou os excessos de gastos com almoços e jantares. Basta um erro do novo prefeito para esses assuntos serem abordados pelas oposições ao seu governo.

Vestido Branco

Por outro lado, a maior cobrança a Greca será feita pelas alianças que fez e escondeu durante as eleições. Ele não assumiu durante toda a campanha o apoio do governador Beto Richa. Embora as outras candidaturas tenham tentado expor esse casamento, a ausência do governador na linha de frente serviu para iludir muita gente. Contudo, a aparição do “caso” no momento seguinte à vitória diz muito sobre quem bancou esse matrimônio. Rapidamente fica claro à população que o novo prefeito se escondeu em um partido nanico e sem rejeição para somar as forças mais conservadoras da cidade. Contudo, governar durante quatro anos terá que ser às claras.

Vacas magras

Greca foi prefeito há 20 anos. Naquela época, enfeitar a cidade e governar como “monarca absolutista”, que tudo sabia e podia, não trazia problemas. A partir de 2016 e com o país em crise, a possibilidade de fazer uma gestão de aparência em que prioriza o estético às necessidades básicas da população poderá levar a queda da Bastilha. O primeiro desafio do novo prefeito, por exemplo, deve ser o transporte público. Apoiado por Beto Richa e pelos donos das empresas de ônibus, Greca pode “renegociar” os contratos, ampliando a concessão, renovando parte da frota e dando a sensação de fôlego. No entanto, se tirar dinheiro da Prefeitura de Curitiba para subsidiar empresário, deverá sofrer fortes críticas.

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