GV Inferior | Não teve clima

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Se o resultado em campo seria outro, nunca saberemos (vale lembrar que o Santos nos venceu por 2 a 0 na Baixada pelo Brasileirão), mas a transferência da partida da última quarta-feira para a Vila Capanema cortou todo o clima que um jogo de oitavas de final de Libertadores merecia. Torcida fria, pegando no pé do time e principalmente da diretoria (com razão), não escondendo o desconforto de não estar em casa no jogo mais importante do ano até aqui (e, pelo jeito, será do ano todo mesmo).

Nada contra o simpático estádio paranista, que tão bem recebeu o Furacão no período em que a Baixada esteve em obras para a Copa do Mundo, inclusive na nossa última participação em Libertadores. Mas um jogo de oitavas de final do torneio continental, em casa, depois de 12 anos (a última vez que chegamos a esta fase foi na campanha de 2005) merecia Baixada cheia, caldeirão fervendo, pressão da torcida o jogo todo, aquele clima que só a torcida do Atlético sabe criar.
Era o jogo para 40 mil na Baixada, jogo para a diretoria aproveitar o apelo e fazer crescer o número de sócios, de que tanto reclama. Mas não, o principal jogo do ano foi tirado de nossa casa e pior, transferido para um estádio cuja capacidade é menor que o nosso número de sócios. No principal jogo do ano, o sócio do Atlético, que atura time sub-23, derrotas para o Foz no estadual, jogos fraquíssimos na Arena, em nome de sua paixão pelo Furacão, foi penalizado.
A quebra do clima começou bem antes da partida de quarta-feira, o impasse sobre a definição do local do jogo nas semanas anteriores e o pedido de “arrego” ao rival Coritiba já tiraram o torcedor do sério. Depois de definida a Vila Capanema, mais um martírio: conseguir habilitar o smart card para a partida. Erros do sistema, filas intermináveis no site e no Espaço Sócio Furacão, impossibilidade de habilitar mais de uma carteirinha fizeram muitos atleticanos desistirem de assistir seu time nas finais da Libertadores.
Quem persistiu, sofreu para chegar ao estádio, teve dificuldade para entrar, por conta de uma grande desorganização nas catracas e teve de se conformar com as limitadas condições de conforto da Vila. A bola rolou, a torcida pouco cantou. Nem o gol de Nikão, abrindo o placar, foi capaz de fazer o estádio entrar no clima que o jogo merecia. Frio nas arquibancadas, frio no campo, o Atlético sucumbiu à frieza do Santos, que soube controlar o esboço de pressão do Furacão e atacou na boa, garantindo a vantagem para o jogo de volta.
Mais uma vez, não se pode saber se houve prejuízo técnico à mudança do local da partida, mas para o espetáculo, o prejuízo é inegável. E tudo em nome de um contrato de risco para a Arena sediar a Liga Mundial de Vôlei. Evento que só trará lucro ao Atlético se o sucesso de bilheteria for estrondoso, uma vez que o estádio não foi alugado, foi negociada uma porcentagem da venda de ingressos para o anfitrião do evento. Pelos lugares vazios nos primeiros dias do evento e pela quantidade de cortesias que foram distribuídas, há dúvidas até se, economicamente, valeu a pena tirar o Furacão da Baixada.
De tudo isso, fica uma frase da carta escrita pela diretoria atleticana a sua torcida: “é dentro deste cenário que vimos aqui assegurar nosso compromisso com toda a Nação Atleticana de que não haverá mais nenhum evento na Arena da Baixada que possa conflitar com a agenda de partidas importantes, emblemáticas e estratégicas em competições que o Clube Atlético Paranaense dispute. Vamos cobrar. Agora é aguardar alguns anos para que voltemos a disputar uma mata-mata de Libertadores na Baixada.

Por Roger Pereira
Foto: Joka Madruga
Terra Sem Males

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