Hermes Leão: “A prática deste governo é pior que o regime militar”

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Exclusivo: Presidente da APP Sindicato fala com o Terra Sem Males sobre ataques do governo à greve

Professor Hermes Leão durante uma das assembleias da categoria na Vila Capanema. Foto: Joka Madruga

Nesta terça-feira, 02 de junho, quando a paralisação dos professores estaduais completa 35 dias e após adesão à greve de diversas outras categorias de servidores públicos que fazem parte do Fórum das Entidades Sindicais (FES), o presidente da APP Sindicato Hermes Leão conversou com a equipe do Terra Sem Males sobre os novos ataques promovidos pelo governo estadual.

Leão critica as atitudes ditatoriais de Beto Richa, que tem utilizado inclusive o termo “insubordinação” para amedrontar diretores de escolas que aderiram à greve. Para Hermes, o uso de um termo utilizado no AI-5, quando diretores de escola exerciam cargos de confiança por indicação do governador, é uma tentativa de amedrontar, já que atualmente as direções são escolhidas via voto popular e não são passíveis de insubordinação.

“A prática desse governo é pior que a do regime militar no Estado do Paraná”, denuncia o dirigente. Confira os demais trechos da entrevista:

Divulgação de salários via Portal da Transparência

Tropa de choque avança contra os trabalhadores do estado. Foto: Joka Madruga

Nos últimos dias, o governo tem investido na divulgação dos salários de professores com melhor remuneração no portal da transparência, ao mesmo tempo em que dificulta a consulta a salários de comissionados e secretários.

“O governo faz ataque todo dia para tentar vender que é uma greve político partidária. Criminalizou os salários nas redes sociais, com o uso da transparência no viés da criminalização. Nós apoiamos a transparência, mas não desta forma. É um ataque fortíssimo tentando aniquilar o sindicato”, explica Hermes.

Existem denúncias de que listas com nomes de professores e seus salários estão sendo divulgados em grupos de whatsapp em cidades menores. “É um movimento violento nas redes sociais, assessores parlamentares ensinam como acessar o portal da transparência, mas para acessar de cargos comissionados temos dificuldade. Como se ganhar mais de R$ 2 mil fosse um crime. O governo tenta colocar a sociedade contra os professores como se fôssemos marajás, como se ganhar um pouco mais fosse crime”, afirma Hermes Leão.

Governo não quer o fim da greve

Professor Hermes discursa minutos antes da tropa de choque do governo Beto Richa agredir os trabalhadores do estado. Foto: Joka Madruga

Já surgiram boatos que o próprio governo estaria postergando a negociação e consequente fim da greve para desviar o foco de escândalos de corrupção que envolvem pessoas muito próximas ao governador. Para Hermes, o governo pode ter sim interesse em prolongar a greve.

“Dá pra dizer que pra eles também interessa prolongar a greve porque tá todo mundo muito cansado, tanto os educadores em greve como estudantes e suas famílias. Ontem tivemos um encontro com mais de 700 diretores de escolas que estão em greve, inclusive do interior, todos afirmando que não vão deixar a greve antes que a pauta seja atendida. Fizemos um ato na Secretaria de Educação e fomos atendidos pela secretária (Ana Ceres) num debate muito tenso”.

Bloqueio de contas da APP Sindicato

Professores satirizam declarações do governador Beto Richa, do PSDB. Foto: Joka Madruga

Em outra frente, o governo estadual também pediu ao judiciário o bloqueio das contas bancárias da APP Sindicato, na tentativa de inviabilizar a paralisação financeiramente. As contas ainda não estão bloqueadas porque o pedido ainda não foi julgado. “Fizeram ataque com apoio do poder judiciário, pedindo para bloquear as contas da APP, na tentativa de inviabilizar o sindicato também financeiramente. Numa greve, na mobilização, temos custos altíssimos”, ressalta.

Uso do medo pela insubordinação

Governo Beto Richa (PSDB) amedronta os trabalhadores. Foto: Joka Madruga

O governo tem usado o termo insubordinação, que vem do estatuto do servidor dos anos 1970, no AI-5 (medida usada na ditadura militar que vitimou milhares de brasileiros), porque os diretores eram da confiança do governo e não podiam criticar o regime militar. Quem se desalinhava dos militares eram presos ou afastados. Dos anos 1980 pra cá temos lei. O diretor é escolha da comunidade escolar e o governo tem que acatar, aceitar a vontade popular. Esse debate é importante. Os diretores são ameaçados por escrito pelos núcleos de educação. O Sindicato orienta nessa guerra que o direito de greve está garantido, mas o governo usa o medo”, defende Hermes Leão.

A greve continua

Professor Hermes em entrevista coletiva numa das assembleias da APP-Sindicato, na Vila Capanema. Foto: Joka Madruga

Nesta terça-feira, os servidores públicos em greve participaram pela manhã de uma audiência pública no plenarinho da Assembleia Legislativa sobre o financiamento da educação. Na parte da tarde, os grevistas ocupam as galerias da Casa do Povo para acompanhar as discussões dos deputados.

Era para ir a votação nesta semana a proposta do governador de reajuste de 3,45% parcelado em três vezes, mais reposição da inflação somente em janeiro de 2016, com mudança da data-base. “Os próprios deputados da base do governo entenderam que seria muito desgastante votar. Eles já estão sem espaço público”, explica Hermes. Na segunda, dia 01, os deputados esboçaram uma outra proposta que contemple a reposição da inflação do período da data-base, de 8,17%, mas ainda não há posicionamento oficial do governador.

A APP Sindicato e a coordenação do Fórum das Entidades Sindicais (FES) apontam um indicativo de assembleia geral para 09 de junho, se houver proposta.

“O nosso balanço é de que a greve está muito forte e isso ontem ficou muito evidente. A reunião com os diretores das escolas superou todas as expectativas, com 100% se posicionando pela continuidade da greve até que a nossa pauta seja atendida”, finaliza o presidente da APP Sindicato, Hermes Leão.

Professor Hermes no meio do povo durante o massacre promovido pelo governo do Beto Richa. Foto: Joka Madruga

Por Paula Zarth Padilha
Editado por Joka Madruga
Terra Sem Males

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