Histórias de mulheres de luta são retratadas em agenda 2017 produzida pelo NPC

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Livro-agenda, editora e cursos de formação de comunicadores populares e sindicais mantém trabalho do Núcleo Piratininga de Comunicação

Por Paula Zarth Padilha
Terra Sem Males 

O Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC), criado há mais de vinte focado na formação de trabalhadores, produz todos os anos um livro-agenda informativo, com notícias de lutas do Brasil e do mundo. A edição de 2017 chama-se Mulheres de luta e em cada página são contadas as histórias dessas lutadoras.

“Em 2015, quando o tema de 2017 foi definido, já sentíamos a força das mulheres que estavam se mobilizando cada vez mais e lutando por igualdade de direitos. Resolvemos, então, ampliar e atualizar a pesquisa do material que já tínhamos sobre “Mulheres na história”, e atualizamos a agenda até meados de 2016. Ao longo deste ano, vimos como a escolha foi acertada! Houve toda a mobilização contra o estupro coletivo de uma menina de 16 anos aqui no Rio de Janeiro; os discursos machistas e misóginos relacionados ao golpe da presidente (eleita) Dilma; o número expressivo de votação das vereadoras Marielle (Rio), Talíria (Niterói) e Áurea Carolina (Belo Horizonte), mulheres negras que levantaram a bandeira do feminismo… Esperamos que a agenda, com os exemplos ali reunidos, possam contribuir para as iniciativas de luta já existentes e para a construção de muitas outras mobilizações! Também esperamos que o material incentive as pessoas a pesquisarem cada vez mais as mulheres resistentes que, de diversas formas, contribuíram para melhorias significativas na sociedade”, explica Sheila Jacob, jornalista do NPC responsável pela pesquisa e pelo conteúdo do livro-agenda.

O livro-agenda traz as mulheres que sonharam com a construção de uma sociedade justa e solidária e batalharam por isso nos mais variados espaços: no campo, nas fábricas, nas manifestações de rua, na guerrilha, nos sindicatos, nas salas de aula, na ciência, na produção intelectual e muitas outras formas mobilização.

Confira entrevista com a jornalista Sheila Jacob sobre o Núcleo Piratininga de Comunicação:

Terra Sem Males – Qual a importância da comercialização das agendas para a continuidade da viabilização do projeto NPC?

Sheila Jacob: O livro-agenda do NPC serve de informação sobre as nossas histórias de luta e também é uma forma de divulgar nosso trabalho: somos um grupo de jornalistas, pesquisadores e professores que apostam na comunicação e na informação para transformar a sociedade. Somado a isso, temos a questão da sobrevivência financeira, já que o NPC se mantém com os frutos de seu trabalho. Preparar todos os anos esse livro-agenda cumpre essa dupla função, portanto: é mais um material de formação que produzimos e algo que nos ajuda a continuar existindo. 
Quais as outras atividades e cursos promovidos pelo NPC?

Além das agendas, nós produzimos e auxiliamos na produção de livros, cartilhas, revistas e jornais ligados a sindicatos e movimentos populares do país inteiro. Também atuamos promovendo cursos, palestras e seminários sobre diversos assuntos: história dos trabalhadores no Brasil e no mundo; redação e linguagem; comunicação sindical; oratória e por aí vai. Todos os anos, temos dois cursos fixos: o Curso de Comunicação Popular Vito Giannotti, que é ministrado no Rio de Janeiro e conta com apoio da Fundação Rosa Luxemburgo; e o Curso Anual do NPC, que ocorre sempre em novembro e já é uma referência para sindicalistas e jornalistas do país inteiro, pois é um espaço de formação em que refletimos, juntos, sobre o cenário político atual e qual é o papel da comunicação – a da Rede Globo e a dos trabalhadores – nisso tudo. 

Qual o papel da Editora NPC?

Como incentivamos e apostamos muito na leitura, resolvemos criar a Editora NPC. Por ela, publicamos livros que têm a ver com o que acreditamos: comunicação, ciência política, educação e outros assuntos. O critério é ser uma boa contribuição aos trabalhadores no sentido de conhecer a sua própria história e poder se mobilizar para defender seus direitos. Os últimos livros que publicamos foram “Experiências em comunicação popular no Rio de Janeiro ontem e hoje: uma história de resistência nas favelas cariocas”, escrito por Claudia Santiago com a colaboração de outros pesquisadores; e “O Rio que queremos: propostas para uma cidade inclusiva”, organizado por Théofilo Rodrigues, que reuniu artigos muito interessantes de pesquisadores de diversas áreas da cidade.  

Divulgação: Memória e inspiração do livro-agenda 2017 “Mulheres de Luta”

O rico material foi todo revisto e atualizado até meados de 2016. Além de servir para a recuperação da memória de tantas lutadoras brasileiras e estrangeiras, a agenda deve servir de inspiração para os desafios que se apresentam no tempo presente. Flora Tristan, Frida Kahlo, Mercedes Sosa, Ana Montenegro, Clara Zetkin, Patrícia Galvão (Pagu), Laura Brandão, Dona Penha, Violeta Parra, Clarice Lispector, Letícia Sabatela, Dandara dos Palmares são alguns nomes recuperados. Também são lembradas as tantas mulheres que resistiram à ditadura brasileira, muitas chegando a participar diretamente da guerrilha do Araguaia.

Para a abertura dos meses, foram convidadas escritoras e militantes de diversas áreas para apresentar uma forma de luta específica. Dessa forma, assinam textos a defensora dos direitos humanos Amelinha Teles; a professora de história Virgínia Fontes; a militante do MST Marina dos Santos; as feministas da Marcha Mundial de Mulheres; entre outras. A revolucionária Rosa Luxemburgo, polonesa de nascimento e internacionalista convicta, estampa a capa do material. Os cem anos da Revolução Russa também são lembrados na publicação, pelo marco desse acontecimento na conquista e na defesa dos direitos das mulheres. 

SERVIÇO

O Livro-Agenda do NPC de 2017 custa R$ 25,00 e está à venda na Livraria Antonio Gramsci: Rua Alcindo Guanabara, 17, térreo, Cinelândia – perto da Câmara dos Vereadores. Mais informações e encomendas pelo e-mail [email protected]g.br

 

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