Homenagens póstumas

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Por Manolo Ramires
Pinga-Fogo
Terra Sem Males

1 – No Brasil, é meio convencional que o homenageado só receba suas coroas após a morte. Com isso se evita que aquele que homenageia dê um tiro no pé. Ao defunto só se entregam rosas porque é deselegante jogar espinhos em alguém que partiu há pouco. Todavia, essa tradição tem sido corrigida recentemente no afã de se fazer média com o homenageado. Muito mais do que isso, fazer média com aqueles que idolatram quem recebe sua medalhinha por serviços prestados à nação.

2 – E depois de Joaquim Barbosa, que agora cai nas contas secretas do Panamá, chegou a vez do juiz Sérgio Moro, paladino da seletividade. As homenagens e tributos em vida tem se proliferado pelo Brasil por sua capacidade em desenterrar a corrupção de um lado do país. Evidentemente, aqueles que escapam das garras da toga, agradecem vossa excelência com jantares, brioches e conferências secretas.

3 – Recentemente, a Câmara Municipal de Curitiba, na falta do que fazer, decidiu conferir o título de cidadão ao presidente da República de Curitiba. Ganha rosas por tentar prender Dilma, Lula, o PT e por deixar solto Eduardo Cunha, Aécio Neves e tucanos. Mas nem todos os vereadores apoiaram o funeral público, digo, o rito de homenagem ao juiz. A vereadora professora Josete votou contra. Primeiro porque Sérgio Moro enterrou o caso Banestado, num esquema de evasão de divisas descoberto no fim dos anos 90. Nesta pá de cal, mais de R$ 520 bilhões dormem embaixo de sete palmos de terra. Josete também destaca que muitas decisões de Moro precisam ser exumadas. É o que veremos.

4 – Na lápide pública de Moro jaz: Eis Moro, o vazador. E para confirmar que o coveiro escolhe seus cadáveres, o STF tomou-lhe a enxada que pretendia cravar nas minhocas do governo. Primeiro porque abriu o caixão das conversas da presidente da República sem autorização. Segundo, porque grampeou banca de advogados. Em terceiro, porque mentiu ao dizer que não grampeou a banca de advogados, mesmo a Telefônica tendo mostrado a coroa de flores. Ou seja, esse coveiro vai padecendo em cova rasa.

5 – Mais recentemente, o juiz do juízo final decidiu dar um salto no tempo e ressuscitar o caso Celso Daniel. Mais uma vez, foi cuidar de cemitério alheio. Isso depois que “o procurador da República Paulo Roberto Galvão de Carvalho, integrante da Lava Jato, disse que não é possível retroagir as investigações aos governo anteriores ao PT em razão da prescrição dos crimes”, como registra o CGN. Enquanto isso, o listão da Odebrecht segue moroso e à espera de exumação.

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