“Imprensa do capital não vai incentivar nunca a luta dos trabalhadores”, alerta jornalista Altamiro Borges

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Abordagem foi realizada na mesa “Invisibilidade do mundo do trabalho na mídia”, na tarde de quinta-feira, 25 de agosto, no IV Congresso Internacional de Ciências do Trabalho

Por Paula Zarth Padilha
Terra Sem Males

O jornalista Altamiro Borges, presidente do centro de estudos de mídia alternativa Barão de Itararé defendeu, na última quinta-feira, 25 de agosto, que conforme já afirmava o saudoso Vito Giannotti, os trabalhadores são “não-notícia” para a imprensa comercial e fala da competição desigual que os meios alternativos enfrentam contra a comunicação hegemônica, de fato, de massa.

“A imprensa do capital não vai incentivar nunca a luta dos trabalhadores”, disse, destacando três táticas da mídia comercial: invisibilizar, criminalizar e pegar carona na luta social. Primeiro, omitindo, por exemplo, uma assembleia de trabalhadores com participação massiva. Se a consequência for uma greve, ou uma manifestação, o efeito colateral é que é divulgado de forma negativa, como por exemplo, um congestionamento ou o quanto uma greve “prejudica” a população.

“A manipulação da mídia não está na mentira, mas no realce de determinado fato e no ocultamento de outro, de acordo com os interesses comerciais, causando seletividade em toda a cobertura midiática”, destacou Altamiro, relacionando com o efeito a invisibilização dos trabalhadores.

Altamiro também falou sobre o papel que a mídia vai exercer para fomentar o golpe. “O que está ocorrendo no Brasil é um golpe de ruptura institucional que tem a ver com um projeto de nação. O que vem por aí é um grande ataque aos direitos dos trabalhadores e a mídia vai tentar criar clima favorável à terceirização, ao fim da CLT e a reforma da previdência, atuando como ferramente de propaganda neoliberal”, alertou.

Sociedade ainda não percebeu

A jornalista Renata Mielle, coordenadora geral do Fórum Nacional em Defesa da Democratização da Comunicação, reafirmou o caráter da invisibilidade do trabalhador da mídia, acentuando que a sociedade ainda não percebeu que vivemos num ambiente de oligopólio da comunicação. “A invisibilidade da luta é como um todo nos meios de comunicação, incluindo trabalhadores, movimentos sociais e militância de mulheres, negros, LGBTs”. Ela explica que a mídia atua dessa forma porque os donos dos meios de comunicação, as elites do Brasil, atuam também em outros negócios com interesses econômicos, como o agronegócio e o sistema financeiro, por exemplo.

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