“Jornais não vão se democratizar. Temos que ter o nosso jornal”

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Vito Giannotti esteve em Curitiba nos dias 13 e 14 de maio e conheceu o trabalho da equipe do Terra Sem Males. Foto: Paula Padilha.

Vito Giannotti, coordenador do Núcleo Piratininga de Comunicação, uma entidade direcionada ao ensino de comunicação popular para representantes dos movimentos sociais e sindicais, esteve em Curitiba na semana passada, nos dias 13 e 14 de maio, ministrando curso de comunicação para dirigentes sindicais bancários do Paraná.

Em entrevista exclusiva ao Terra Sem Males, Vito afirmou que não acredita na “Democratização da Comunicação” como forma de fazer valer o uso da mídia impressa, de rádio e televisão como concessões públicas. Para ele, os jornais não vão se democratizar. “O jornal tem dono e o dono faz o que ele quer no jornal dele. O que nós temos que fazer é ter o nosso jornal”, falando sobre a importância dos trabalhadores terem acesso a informação alternativa.

“Eu sou da opinião que em Curitiba tem espaço para ter um jornal comunitário, coletivo, de movimentos sociais, com jornalistas nossos, militantes, ativistas de vários grupos sociais, de várias entidades que democraticamente cada um cedendo um pouco teremos um jornal comum, semanal”, defende o comunicador.

Vito citou como exemplo o jornal Brasil de Fato do Rio de Janeiro, que tem publicação semanal de 100 mil exemplares e é distribuído de forma gratuita em estações de metrô. “O Brasil de Fato levou a mensagem da greve dos professores do Paraná com a mensagem totalmente diferente do jornal O Globo, que tem a visão patronal, do empresário, de quem quer manter a sociedade como está”, diz. “Aqui em Curitiba também precisamos do nosso jornal, de jornais diários, esse é o ideal, mas vamos ser realistas, um jornal semanal em Curitiba, com 30, 40 mil jornal distribuídos toda semana, levando sua mensagem, sua visão, depois de um ano as coisas mudam”, defende.

Comunicação popular além do umbigo

Vito Giannotti defende que a comunicação sindical, popular e dos movimentos sociais não pode ser somente direcionada “ao próprio umbigo”, que as notícias devem extrapolar o foco nas categorias e incluir debates de interesse de toda a sociedade.

“Porque a gente fala em não olhar só no próprio umbigo? Porque os problemas dos bancários, dos professores, dos petroleiros, dos servidores públicos, se resolvem com o conjunto da sociedade, do movimento. Nós temos que nos nossos materiais ter 60% das matérias sobre a categoria e o restante falar da luta dos outros trabalhadores e dos movimentos sociais, do MAB, dos sem terra, da luta por moradia, porque só a luta por categoria não resolve o problema. Mudando a sociedade, preparar e convencer ativistas de sindicatos a ampliar o leque, falar de todo o resto, do desemprego, do arrocho salarial que está pintando. Ampliar a visão”, resume Giannotti.

Vito finaliza: “Não existe a democratização dos jornais. Existe nós arregaçarmos as mangas e todos os movimentos participarem com o que podem. Nós não somos tão pequenos como a gente imagina”.

Por Paula Zarth Padilha
Terra Sem Males

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