Jornaldo* | Libertadoras e libertadores: quem paga a conta?

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“O telefone que tocaaaáá… eu digo alô sem respostaaaaáá”….

Espero que seja o Lídio… deixei recado na sua secretária eletrônica.

“Alô, Lídio?”…

A última vez que falei com o doutor foi na final da Copa da França, em 1998. Tivemos uma briga feia. Ele me culpou por ter levado o Ronaldo pra noitada. Mas como eu iria saber que o Fatnômeno teria uma ressaca convulsionante?

“Fala Lídio, tudo bem?” – a voz está diferente!!!

“Cara, vou direto ao assunto. Tem como dar um pulo na Stark, aqui em Curitiba, amanhã? O dia todo. Pago seu voo de ida e volta”.

“Po Lídio, não fode. Vai ter uma enfermeira pra te ajudar. O pessoal é muito gente fina. A organização do Sindijorzão dispensa comentários, os caras são ponta firme. Levo até um scott pra depois do expediente”.

“Não está entendendo? Como assim? Não sabe o que é o Sindijorzão?”.

“Hã?”.

“Pare! Vou te explicar o que está acontecendo:

Semana passada, numa partida espetacular entre Espetaculosas x As Sensacionalistas, algumas atletas saíram contundidas. Sabe aquele jogo estilo ‘libertadoras da américa’? Então…

Mas já vou adiantando que essa rivalidade é só dentro de quadra. Ok, Lídio?

Agora preste atenção, pra você entender onde eu quero chegar com essa história:

No último domingo, acabou a fase de classificação. Agora é mata mata. Os jogos serão ainda mais pegados.

O futebol feminino, por exemplo, é pressão o tempo todo. As meninas treinam durante a semana, se preparam, se dedicam, é um grande espetáculo. Semana passada, numa só partida, vi chapéu, caneta, golaço!”.

“Hã? Jogo de homem? Hmmmm… confesso que não vejo todos os jogos do masculino, é muito mimimi. Ainda bem que a organização bolou uma partida mista, pra elevar o nível. O resultado foi bacana. Muito bam bam bam que se achava craque das quadras entendeu que com as meninas do Sindijorzão não tem pra ninguém…

Porém… depois da partida que eu me referi, aquela estilo “libertadoras”, com algumas lesões… surgiu a discussão sobre a presença de algum responsável pela integridade física de [email protected] @s participantes.

Teve até textão no facebook, debate em programa esportivo, briga em grupo de zapzap, essas coisas… sabe como é, né? Até porque, apesar do torneio ser de um Sindicato, não é todo mundo que é filiado, o que dificulta um pouco…

Esses dias, fiz um breve cálculo: se todo mundo estivesse em dia com suas obrigações sindicais, a organização poderia concluir a Arena Sindijorzão, com CT, departamento regenerativo, trabalho de inteligência tecnológica futebolística e uma piscina olímpica.

Lógico, uma ambulância, por exemplo, seria facilmente disponibilizada durante as partidas.

Mas retomando: o mais importante é que as meninas que se contundiram estão bem.

Agora, pra finalizar e acertar sua participação amanhã: uma garrafa de scott é o suficiente?”.

Esse filha da puta não fala nada com nada…

“Lídio, eu não estou te ouvindo. Tem algum outro número que eu possa te ligar?”.

MERDA. MERDA. DESLIGOU NA MINHA CARAAAAA.

– O que foi vô? Que gritaria é essa?  – acaba de chegar meu neto, jornalista. Sabe de tudo!

– Eu tava falando com o Lídio, não conseguia escutar o que ele falava. Uma merda. Aí o cara não fala nada com nada e desliga na minha cara. Escroto.

– Vô, que Lídio?

– O Toledo.

– Vô, o Lídio Toledo morreu em 2011!

– O quê?

– Sim. Em 2011.

– Puta que pariu.

 

*Jornaldo: é jornalista esportivo renomado internacionalmente. Sempre disputado pelas mídias convencionais, optou por fazer a crônica do Sindijorzão, o torneio de Futsal do Sindicato dos Jornalistas do Paraná. Os valores nunca foram divulgados.

Foto: Joka Madruga/Terra Sem Males

 

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