*Jornaldo: Quando fantasmas matam

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“Porra, Agnaldo. Escreva mais uma de suas músicas chatas e pare de encher o saco do sul do mundo”– “Pô, Jornaldo, desculpe. Você aceita minhas desculpas? Diga pro pessoal do Sindijorzão que eu amo o campeonato. Inclusive estou disposto a dar uma canja no Churrasco dos Jornalistas. O que você acha?” – “Acho que você enlouqueceu. Vá a merda e não venha pra Curitiba” – desliguei.

Hoje a relevância do Agnaldo Timóteo pra música brasileira é igual a do Refugos quando se trata de clássicos do torneio. Ou seja: nula. Clássico Re-Re? Que porra é essa? Agora o Sindijorzão virou oba oba? Qualquer time se auto intitula ‘grande’ sem nem chegar numa final? Saudade do tempo em que ‘clássico’ era Sensacionalistas x Confraria com sinalizador e torcida organizada.

Mas não vou me aprofundar nesta questão, vou deixar que o Refugos se resolva contra o bicampeão Sensacionalistas na semifinal. Caso o time antifa faça sua primeira final, ou contra o Relevo ou contra o Catadão, quem sabe eu não insira essa agremiação sem título de futsal entre os times ‘clássicos’ da competição.

Voltando ao Agnaldo Timóteo, esse artista ficou conhecido pela sua música brega enquanto o Brasil pegava fogo na ditadura militar, depois migrou pra política e agora quer cantar no Churras do Sindijor. Mas acredito que a organização não vai ‘timotear’, ainda mais nesse momento histórico complicado.

Infelizmente o recado foi dado da pior forma: “não queremos comissão da verdade, não queremos investigação”, disse um general. E assim voltamos aos porões mais sombrios da história desse país. Os fantasmas voltaram.

É como se eu entrasse numa bolha do tempo, lá da minha época de clandestinidade, quando costumava promover alguns trotes pra desestabilizar a Estado Maior. Quem não se lembra dos atentados telefônicos promovidos em todos os quartéis das capitais brasileiras? “Alô” – “É do exercito?”- “Sim, pois não?” – “O cabo tá aí?” – “Sim” – “Então pega ele enfia na sua bunda”.

Era isso. O trote aliviava a pressão. Marighella adorava!

E por falar em trote, será que o título de 2017 do Che foi um trote? Como explicar a campanha pífia deste ano? Pelo jeito a galera de Havana depende, e muito, de um certo tucano que desfalcou o elenco este ano. E a expulsão do Soroca Eterno, o que dizer? Até perguntei: Foi a primeira vez que você foi expulso no Sindijorzão? “Sim, não que eu não tenha merecido ser expulso em outras oportunidades, mas essa foi minha primeira”.

Outro que levou cartão vermelho pela primeira vez foi o Gibanight, craque do Catadão. Além disso, ele deu uma de Romário, pulou o muro da concentração do seu time, no último fim de semana, e sumiu! Mesmo sem ele, Falafina e Cia desbancaram o Che, na reedição da final de 2017. Isso foi um clássico.

Só lembrando que o Falafina, que estava sumido das manchetes do Jornaldo, mostrou suas garras novamente. Mesmo com várias investigações referentes as armações idealizadas no vestiário da Stark ano passado, “com nudes… com tudo… num grande acordo nacional”, esse cidadão não parou de aprontar.

Dessa vez o CEO do Catadão ressurgiu das cinzas e foi grampeado num diálogo assediando um jogador do ¿Plata o Plomo? (grande time capitaneado por Fafá) no vestiário da Stark. Na conversa ele revelou que durante o jogo do Catadão contra o ¿Plata aplicou uma caneta no Fafá. Até aí tudo normal. Porém, como retaliação, um atleta da equipe ‘Klostermann Corporation’ meteu uma bola no meio das suas pernas e ele gostou: “esse cara é bom!”, disse.

A verdade é que, no melhor estilo “mantenha isso aí, viu?”, Falafina voltou a assombrar os vestiários da Stark. Enquanto sua equipe tomava banho, um jogador do ¿Plata o Plomo?, o mesmo que meteu uma bola no meio das suas pernas, entrou no recinto. E o que ele fez? Convidou o jovem e inocente pra fazer parte da sauna do Catadão, que funciona como uma espécie de sociedade secreta nos moldes da maçonaria.

Algo do tipo: “agora não posso falar nada porque sou maçom”.

Vale lembrar que em 2017 sofri sérias ameaças após receber uma foto do encontro, no vestiário, com nudes e tudo, entre Falafina e Manolo Ramires. Mas como já disse em outros tempos e reafirmo: JAMAIS ME CALARÃO.

É uma questão de família não me calar diante de tanta maracutaia. Lembro-me como se fosse hoje, ainda nos anos 90, quando minha filha, que vivia no noroeste do Paraná, perto da fronteira com o Paraguai, foi eleita a primeira mulher vereadora da cidade em que morava. Já empossada, ela passou a realizar seu sonho de legislar em benefício das minorias.

Ela tornou-se tão boa nesse negócio de fiscalizar os gastos públicos que acabou colaborando para que o prefeito daquela cidade fosse impugnado, perdesse seus direitos políticos e caísse na lei de responsabilidade fiscal. Depois disso, as ameaças ficaram claras e explícitas. O resultado: após muita perseguição política e difamação, ela não conseguiu sua reeleição e teve que sair do município.

Aí você pode estar se perguntando: mas qual a ligação disso tudo com o Sindijorzão?

É que após a execução da vereadora Marielle Franco (PSOL/RJ), que investigativa abusos promovidos pelos milicos durante a intervenção militar carioca, e do seu motorista, Anderson Pedro, no dia 14 de março, as meninas dos times Galácticas e Nem Uma a Menos fizeram um minuto de silêncio antes do confronto. Um exemplo de solidariedade.

Em situações trágicas muitos pontos em comum se conectam e unem as lutas. No Sindijorzão, por exemplo, algumas pessoas já marcaram alguns golaços fora das quadras. Dessa vez, o maior exemplo é o atleta Rodrigue Marengo, que disse:

Nós temos um sindicato bom, honesto, que sempre esteve de portas abertas para todos. Temos eventos, como churrascos e nosso Sindijorzão. Acima de tudo, temos um sindicato que nos representa mesmo contra os truculentos patrões que dirigem o sindicato patronal. Acreditem não é fácil garantir nem mesmo a inflação como reajuste”.

Golaço!

Esse é o Sindijorzão! E não podemos esquecer dos jornalistas do norte do Paraná que continuam numa luta sem precedentes em busca de direitos. Eles se mantém, de forma heróica, na linha de frente da greve do jornal O Diário (Maringá). Também quero lembrar que os trabalhadores jornalistas da EBC enfrentam censura do atual governo federal. Algo seríssimo.

Sim, minhas amigas e meus amigos, estamos em 2018, mas não parece. Quem imaginaria que Agnaldo Timóteo seria protagonista de alguma coisa hoje em dia? E essa intervenção militar no Rio de Janeiro? Que porra é essa?

É preciso lembrar sempre: o atentado do Riocentro, em 1981, aconteceu em plena ditadura militar e foi articulado pelos próprios. A cidade era a mesma, o Agnaldo Timóteo era o mesmo e os crimes políticos ficavam impunes.

Ainda não conseguimos eliminar esses fantasmas.

 

*FOTO: Leonardo Lima.

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