Jornalistas do Paraná têm primeira negociação da campanha salarial nesta terça (07)

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Sindijor-PR aposta na luta por mais conquistas e pela segurança dos profissionais

Gustavo Henrique Vidal, diretor-presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná. Foto: Joka Madruga

As negociações da campanha salarial dos jornalistas do Paraná com as entidades patronais começam nesta terça-feira, 07 de julho, em Curitiba. O Terra Sem Males entrevistou, com exclusividade, o presidente da entidade, Gustavo Henrique Vidal.

De acordo com o dirigente, neste ano a prioridade será garantir o reajuste de salário e aprofundar as negociações pela garantia de equipamentos de segurança no exercício da profissão, combate ao assédio das chefias e à pressão nas redações, além de garantir o acesso e liberação de dirigentes sindicais para atuação junto à base.

Confira a entrevista completa:

Terra Sem Males – Qual a pauta da primeira mesa de negociação do dia 07 de julho?

Gustavo Henrique Vidal – Os sindicatos dos trabalhadores esperam que os representantes das empresas apresentem respostas ao conjunto de reivindicações dos jornalistas, todas que foram protocoladas no inicio de maio.

No entanto, é pauta indispensável garantir a data-base, já que não temos lei que nos dê o direito a receber a reposição da inflação, inclusive, com retroativos até 1º de maio. Normalmente este item não gera impasse na negociação. Será nossa primeira ação nesta reunião: garantir o reajuste salarial.

Além da pauta financeira, quais são os pontos mais importantes que serão negociados com os representantes patronais?

Historicamente defendemos a inclusão na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) a garantia, por parte das empresas, de materiais de segurança aos profissionais. No dia 29 de Abril, quando o governo do estado reprimiu violentamente os servidores públicos em greve, 10 profissionais da imprensa foram feridos por balas de borracha e bombas de gás de pimenta e lacrimogênio. Encontrei jornalistas utilizando materiais particulares durante a ação policial. Isso deveria ser obrigação da empresa em fornecer.

O SindijorPR também quer que as empresa apliquem políticas para combater o assédio moral e sexual nas redações e locais de trabalho. Não é de hoje o abuso cometido por chefes sobre jornalistas. Vários casos são investigados pelo Sindicato anualmente e essa prática precisa ter um fim. É prejudicial para a categoria e também à empresa, já que o jornalista, pressionado e humilhado, passa a produzir menos. A obrigação da empresa é impedir que o assédio aconteça. Por isso defendemos programas para inibir a prática.

Neste ano também propomos algumas demandas sindicais, como o direito dos diretores terem acesso às redações e a liberação de mais jornalistas para o sindicato. A maioria das empresas não nos impede de entrar, mas tivemos casos constrangedores de prática antissindical que vamos resolver garantindo na CCT. Também defendemos o aumento das horas de liberação para participação dos jornalistas nas atividades do SindijorPR, como assembleias, plenárias, seminários e congressos estadual e nacional.

Como foi o planejamento para a campanha salarial antes do início das negociações?

No final de 2014 antecipamos o planejamento da campanha salarial devido ao acumulo com outras ações do sindicato, como as eleições de abril. Foram realizadas algumas atividades na capital e interior para preparar as reivindicações.

Em fevereiro, um seminário reuniu os quatros sindicatos de jornalistas da Região Sul para unificar algumas lutas e preparar as pautas locais, de cada estado. Desta atividade, a Direção do SindijorPR convocou uma Plenária, em Curitiba, no mês de março, para discutir com os jornalistas quais seriam as nossas pautas.

Durante este debate coletivo foram apontadas as prioridades da campanha salarial de 2015, que foram protocoladas em maio e começam a ser discutidas agora com as empresas.

Acesse aqui a proposta dos jornalistas para a CCT que foi entregue aos patrões.

No interior, os jornalistas também se mobilizam. Na imagem os companheiros de Cascavel-PR. Foto: Madson de Oliveira

Quais suas expectativas para a primeira reunião?

Espero mudança na postura dos sindicatos patronais. Não cabe mais o ataque aos direitos dos jornalistas, rechaçado seguidamente pela categoria sempre que apresentado pelos empresários (como a proposta de diminuição e diferenciação dos pisos salariais, apresentado pelos sindicatos patronais em anos anteriores e recusados pela categoria). Caso contrário, não vejo outra forma de iniciar as negociações senão enfrentando a intransigência patronal.

Desta vez, no entanto, não levaremos retirada de direitos para assembleia. Não faremos o debate sobre redução do piso salarial ou congelamento do anuênio, caso eles insistam. Essas discussões estão vencidas. Só apresentaremos aos jornalistas propostas concretas de renovação da CCT.

Todos os anos os empresários lamentam a situação financeira, tanto do estado como de rádios, televisões e jornais. No dia 07 não será diferente. Certamente justificarão que o estado aumentou impostos, o que gerou mais custos para eles. Engraçado que eles alegam isso todos os anos, como se o custo de vida não fosse repassado aos jornalistas, que nesse caso são os mais prejudicados, já que recebem pouco mais de três salários mínimos.

O que os jornalistas paranaenses podem esperar dessa campanha salarial?

Da parte do SindijorPR podem ter a certeza de que não perderão direito algum. Não aceitaremos retrocesso, isso eu garanto.

Quais são as estratégias de mobilização em caso de negativa das reivindicações?

As ações são definidas conforme caminham as negociações. Um equívoco que sempre é cometido no meu entendimento, enquanto diretor de um sindicato, são as mobilizações defensivas: nos unimos contra a redução do piso e não pelo aumento real. Basta verificar os últimos anos: nos defendemos para manter o que já temos. É uma forma errada de utilizar a nossa força.

Nossas mobilizações, vamos propor isso, precisam ser ofensivas, para avançar. Temos que nos mobilizar conta o assédio moral, contra a precarização das relações trabalhistas ou mesmo pelo reajuste. Que jornalista não quer vale alimentação?

Já passou o tempo dos jornalistas se identificarem como trabalhadores e saberem o tamanho da sua força enquanto classe, que briga e conquista. Mas só juntos avançarão. A consciência de classe é que nos fortalece e quanto mais isso for compreendido, mais força o SindijorPR terá nas negociações.

A luta é por mais direitos e não somente para manter o que já temos.

Com a data-base vencida, até quando os jornalistas podem esperar pelo reajuste e demais melhorias?

Não há prazo definido. Em 2010, por exemplo, foram 9 meses de negociação que culminaram no ganho real de salário depois de 14 anos. No ano passado, em quatro meses conquistamos a regulamentação do estágio na CCT.

A segunda manifestação contra perseguições aos jornalistas paranaenses acontecerá no próximo sábado (11) às 10h na Boca Maldita em Curitiba. Todos convidados, jornalistas ou não. Clique na imagem acima para confirmar presença ou ter outras informações sobre o ato.

Por Paula Zarth Padilha
Terra Sem Males

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