Legaliza já!

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Capa do álbum “Usuário” lançado em 1995 pela banda Planet Hemp

Já disse que às vezes paro pra trocar umas ideias com meu camarada Enzo Lino, o famoso Diabolô.

– Ô Maradona… – repito três vezes até meu amigo me olhar e se ligar…

– Ô mano… foi mal… – e passou…

Diabolô foi me encontrar em casa. Após isso, partimos pra casa dele. Fui o convidado ilustre pra um churras com sua família.

Quando chegamos lá, ele me apresentou todo mundo… obviamente não lembro o nome da galera.

Na sala da casa dele encontramos seus irmãos ouvindo na vitrola o vinil “Usuário”, do Planet Hemp.

Em 2012 fui ao show do Planet em Floripa, num lugar chamado Stage.

Foi engraçado! Logo na entrada… o destaque da noite: “não pode entrar de boné” – disse um cara da organização. “Hã?” – não entendi nada. Estava num show do Planet Hemp e não podia entrar de boné? Que coisa, não?

Na verdade, como o show foi numa dessas casas de shows ´chiques´ de Floripa, uma galera já estava ligada nessa “norma”. Após eu insistir alguns minutos, percebi a postura irredutível do cara da organização; então fui ´mocar´ meu boné em algum lugar.

Rodei pelo estacionamento alguns minutos e encontrei um matinho perdido pelos cantos. “É aqui mesmo” – pensei; então joguei meu boné lá e fui pro show.

Década de 90, prisão do Planet em Brasília (1997). Depois do sucesso dos seus dois primeiros álbuns (“Usuário” e “Os cães ladram mas a caravana não para”), a banda passou a sofrer ataques de grupos conservadores, sendo até impedida de tocar em determinadas cidades.

O extremo disso tudo foi o enquadramento dos artistas na capital federal… que contradição!

Mas nada como a vida pra dar aquele velho ‘tapinha na pantera’. E adivinha ‘dotô’ quem apareceu dessa vez nas páginas policiais? Não amigo, não foi o D2 ou o BNegão ou o Black Alien, mas sim o “Juiz que prendeu o Planet Hemp” – o cara foi afastado por receber propina de traficantes.

Hipocrisia? Não! “Quase nada”.

LEGALIZE JÁ! – tá aí uma bandeira pacífica. Ela era e é muito influente na música, tô mentindo? É ou não é Peter Tosh?

E após décadas, as coisas não mudaram muito. Dois meses atrás o vocalista do Cone Crew Diretoria foi preso, o motivo: apologia às drogas.

Porém, mesmo em tempos estranhos como os de hoje – em que vozes “bolsonarianas” ecoam por aí; o STF vai discutir a descriminalização do porte de maconha para consumo próprio na próxima quinta-feira feira (13/08). Será essa uma fumaça no fim do túnel?

Temos que aproveitar esse pequeno momento uruguaio no Brasil… bem pequeno… praticamente uma ponta, uma perninha de grilo.

Ai ai… parece tão óbvio: Uruguai: após regulação da maconha, mortes por tráfico chegam a zero.

E não fica só na questão de segurança ou saúde pública. A questão econômica tem lá seus benefícios. O estado do Colorado, nos EUA, que o diga: Após grande arrecadação, Estado americano do Colorado pode ter de devolver dinheiro do imposto da maconha à população.

E o show do Planet foi ‘do caralho’.

Na saída ainda fui buscar meu boné. Em frente ao matinho que eu havia deixado o dito cujo estava estacionada uma Van; ao seu lado três pessoas conversavam. Foi aí que tive que pedir licença e interromper o triálogo. Passei entre eles e adentrei o mato. Em poucos segundos, com a ajuda da lanterna do meu celular, saí feliz da vida com meu boné e o barulho do rap-rock’n’roll-psicodelia-hardcore-e-ragga do Planet na cabeça.

– Ô meu! – escutei uma voz rouca e alta, também um tranco no meu ombro. Quase caí da cadeira. Despertei com Diabolô falando mais rápido e puto que o D2 e o BNegão juntos. “Porra… eu to aqui falando… falando… falando… e você nada? Faz uns cinco minutos que tô te explicando sobre o Planet… a legalização… e você não está nem prestando atenção no que eu digo. Seu lesado”.

E caímos na gargalhada.

– É… depois eu que sou o Maradona, né? – continuou Diabolô.

– Ah cara… nada a ver… uma coisa é uma coisa outra coisa é outra coisa. Você é o Maradona porque é fominha… não passa…

– Aé? E você, é o quê?

– Eu? Sei lá…

Foi aí que um dos irmãos do meu amigo interrompeu nossa conversa e ágil como um “sagaz homem fumaça”, perguntou:

Quem tem seda?”. 

Por Regis Luís Cardoso
LP – Crônicas musicais
Terra Sem Males

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