Líderes da América Latina rechaçam golpe no Brasil

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Por Paula Zarth Padilha
Terra Sem Males

Líderes de países da América Latina e da Rússia se manifestaram oficialmente nesta quinta-feira, 12 de maio, após a presidente eleita Dilma Rousseff ser afastada do poder pelo Senado enquanto se defende do processo de impeachment. De acordo com levantamento do site multimídia latinoamericano Telesur, os presidentes da Venezuela, Equador, Nicarágua e Rússia criticaram o processo político no país, que a própria presidente Dilma classificou como “farsa política”.

O governo do Equador reiterou seu apoio à Dilma e ao povo brasileiro sobre o que considera “ameaça de grave alteração inconstitucional”, que pode trazer graves consequências para os povos da América Latina.

O governo da Venezuela rechaçou o que classificou como “golpe de Estado parlamentar” que ameça o processo democrático no país. Para a Venezuela, o golpe visa substituir a soberania popular e teria sido instigado por interesses imperialistas e oligárquicos. Já o presidente da Venezuela Nicolás Maduro acusou os Estados Unidos de estar por trás do golpe no Brasil. “Los Estados Unidos quieren impedir que en Latinoamérica continúen los gobiernos progresistas y revolucionarios elegidos democráticamente para bienestar de los derechos fundamentales del pueblo”, disse Maduro.

O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, declarou que o impeachment é um processo antidemocrático. Ele destacou que o Brasil de Dilma e Lula, do Partido dos Trabalhadores, é um exemplo de mudança e de assegurar a liberdade e a justiça.

A porta-voz do governo da Rússia,  María Zajárova, classificou como inaceitável a ingerência externa no governo brasileiro. A Rússia também acusa os Estados Unidos de orquestrar o impeachment. Ela declarou que para a Rússia interessa um Brasil estável e democrático.

O site Telesur também publicou uma matéria denunciando que o presidente interino Michel Temer anunciou mudanças severas na economia ampliando parcerias privatistas.

Michel Temer também já publicou em diário oficial medida que extingue os Ministérios da Comunicação, da Cultura, do Desenvolvimento Agrário,  das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos. Nos ministérios restantes também não há a nomeação de nenhuma mulher.

Dilma Rousseff ficará 180 dias afastada da presidência enquanto o processo de investigação de seus atos que motivaram o impeachment (as pedaladas fiscais) forem investigados no Senado. O presidente do STF Ricardo Lewandowski ficará instalado numa sala do Senado para julgar inconsistências no trâmite.

Dilma discursou às 11 horas desta quinta-feira, 12 de maio, do Palácio do Planalto, denunciando que seu afastamento é um golpe, uma farsa política e judiciária iniciada pelo ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha em retaliação ao que a presidente eleita classificou como “não aceitar chantagem” para que ele não tivesse voto para ser investigado pelo Conselho de Ética.

Dilma reafirmou que não cometeu crime, que o que fez foi dentro da lei e do que o orçamento permitia. Após o discurso, Dilma saiu pela porta da frente e se aproximou de milhares de manifestantes de todo o país que se deslocaram a Brasília para rechaçar o impeachment e prestar solidariedade à presidente.

AtualizaçãoCuba denuncia golpe de Estado en Brasil disfrazado de legalidad

 

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