LUCAS PELISSARI, ARTICULISTA DO BRASIL DE FATO, ANALISA CONJUNTURA E MEDIDAS DE PRIVATIZAÇÃO

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Nos próximos dias, o Brasil inteiro está se organizando contra a privatização da Petrobrás. No Paraná a luta ainda se estrutura na defesa das empresas estatais, como a Copel e Sanepar, depois de apresentado, no dia 16 de setembro, o último artigo do novo pacotaço do governo do estado que revoga um inciso da Lei Estadual 15.608/2007. A medida abre espaço para que o Executivo não precise de autorização dos deputados estaduais para vender ações de empresas públicas e de economia mista.

Em entrevista ao Sindijor PR, Lucas Pelissari, articulista do Brasil de Fato, militante do Levante Popular da Juventude e do Fórum 29 de Abril, que compõe a Frente Brasil Popular, avalia a conjuntura nacional e estadual, reflete sobre as privatizações, analisa escândalos de corrupção e o papel da imprensa. Veja abaixo:

Em meio a uma das piores crises financeiras de sua história, o governo do Paraná volta a falar em vender fatias de suas principais empresas estatais, Copel e Sanepar. Quais são os argumentos que posicionam os movimentos e organizações sociais e sindicais contra essas privatizações? Por quê?

A Frente Brasil Popular é uma iniciativa de diversas entidades, movimentos sociais, centrais sindicais, militantes, personalidades, artistas, que se unificam em torno de duas questões gerais: a defesa da democracia e a defesa dos direitos do povo brasileiro. O tema das privatizações sempre esteve presente na realidade brasileira e se relaciona com os dois aspectos.

Atualmente, vivemos no país uma conjuntura de ofensiva de setores conservadores da sociedade que desejam, simplesmente, se aproveitar do momento de crise que passa o Brasil para se apropriar de nossas riquezas. Passamos por um momento delicado, que, na verdade, é o resultado da conjugação de três crises: uma política, uma econômica e outra social. Para saída da crise econômica, esses setores propõem, dentre outras coisas, a privatização de empresas estatais. Para legitimar seu discurso pró-privatização, se apoiam na crise política e na crise social, com os argumentos mais esdrúxulos possíveis.

O caso do Paraná é ainda pior porque, aqui, o governo Beto Richa é, ele próprio, quem propõe a privatização, enviando à ALEP um projeto de lei que prevê, como consta em sua pergunta, a venda de fatias das duas maiores estatais paranaenses.

A questão é simples: a saída da crise, tanto em nível nacional quanto em nível estadual, não pode privilegiar grandes interesses econômicos e prejudicar o povo trabalhador. Isso significaria dar mais àqueles que geraram a própria crise, com sua busca desenfreada e irresponsável do lucro, e prejudicar o trabalhador que acorda cedo todos os dias e, ao contrário, precisa é do fortalecimento das empresas estatais para satisfazer seus direitos básicos, como os serviços de água, luz e saneamento.

Imagina se grandes grupos econômicos passam a controlar mais ainda partes da Copel ou da Sanepar? Já está mais do que provado que a tese segundo a qual mais mercado e a “mão invisível” da “competição” não aumentam a qualidade dos serviços para a população. O péssimo serviço ofertado pelas empresas que compraram telefônicas na década de 90, como a Telepar, o altíssimo preço do pedágio nas estradas paranaenses e a própria crise que vivemos hoje são prova disso. Tirando o fato de que cerca de 20.000 trabalhadores passam, com a privatização, a ter seus empregos ameaçados.

Copel e Telepar já são empresas de economia mista e já tiveram fatias vendidas por governos, que, na verdade, eram inimigos dos trabalhadores em diversos aspectos. O povo paranaense não permitirá que isso aconteça mais uma vez.

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Por Laís Melo
Sindijor PR

 

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