Lula é obrigado a abrir mão de tempo com a família para receber amigos

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Após 27 dias de prisão e dezenas de negativas judiciais para receber visita de amigos, senadora Gleisi e ex-governador Jaques Wagner conseguem visitar ex-presidente.

Na tarde da última quinta-feira, 03 de maio, a Senadora Gleisi Hoffmann e o ex-governador da Bahia Jaques Wagner se tornaram os primeiros amigos do ex-presidente Lula a conseguirem autorização para visitá-lo onde está mantido preso, na sede da Polícia Federal, em Curitiba, desde o dia 7 de abril.

As visitas negadas incluem o teólogo Leornardo Boff, o Nobel da Paz Adolfo Perez Esquivel, a presidenta eleita Dilma Rousseff, uma comissão de 11 governadores, uma comissão parlamentar de deputados federais e uma comissão de senadores.

De acordo com entrevista coletiva concedida após a visita, a autorização foi possível após negociação entre a defesa de Lula e a PF, que foi autorizada judicialmente a permitir as visitas, desde que conciliadas com o dia de visitação dos familiares de Lula. A partir de agora, todas as quintas-feiras, duas pessoas poderão visitar o ex-presidente.

De acordo com Gleisi, Lula fez diversos questionamentos conjunturais: como justifica 20 milhões de empregos formais gerados no governo dele e hoje o país ter 13 milhões de desempregados? Como justifica o salário mínimo subir por 11 anos consecutivos acima da inflação nos governos do PT e há pelo menos dois anos os reajustes não serem de pelo menos reposição da inflação? Como justifica a estagnação do país? O que justifica depois de dois anos de governo Temer ter um PIB que não cresce? Como justificam que a dívida pública pulou de 39% do PIB em 2016 para 52% do PIB agora? Sobre isso, a senadora destacou que ele pediu pra lembrar que o governo do PT pegou a dívida com 60% do PIB e derrubou para 39%.

Outros questionamentos externados pelo presidente Lula foi sobre a justificativa do governo Temer para a queda no consumo das famílias, a queda da produção industrial e dos serviços, a queda dos investimentos públicos e, do outro lado, o aumento dos juros do cheque especial e dos juros do cartão de crédito, o aumento do lucro dos bancos. O ex-presidente também alertou sobre o crescente número de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza. Como essas pessoas voltaram a ser pobres e como justifica o corte no bolsa família nesse momento?

“O presidente está muito preocupado com a situação brasileira e esse é um dos motivadores dele a ser Presidente da República, ele acha que pode voltar a reconstruir esse país”, declarou Gleisi Hoffmann à imprensa. Ela encerrou sua fala dizendo que o ex-presidente pediu para prestar solidariedade às famílias do edifício que desabou em São Paulo após incêndio e pediu para reunir um grupo para discutir a habitação brasileira, sobre o porque dos retrocessos na habitação.

Já o ex-governador Jaques Wagner falou sobre seu contato com o ex-presidente. “Encontrei ele um homem injuriado e indignado com a injustiça cometida, que não se conforma com sua condenação sem provas, ele continua pedindo que mostrem as provas. Ele está muito firme e ele quer que se respeite o patrimônio político dele e a inocência dele”, disse. Wagner reafirmou na coletiva que o Partido dos Trabalhadores não tem “plano B” para a presidência do país. “Nós vamos com ele até o final de linha, que eu espero que seja dia 7 de outubro, pois a esperança dos brasileiros está enjaulada num quarto aqui da Polícia Federal”, declarou.

Desde que Lula foi preso em Curitiba, apoiadores, militantes, amigos, movimentos sociais e sindicais se revesam em caravanas de todo o país no acampamento e Vigília Lula Livre, nos arredores da PF, mantendo programação cultural, de formação e política desde o “Bom dia, Lula” até o “Boa noite, Lula” e diversas autoridades e pessoas com relação notória de amizade com ele foram impedidos de visitá-lo por decisão da Justiça Federal do Paraná.

Por Paula Zarth Padilha
Para a FETEC-CUT PR

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