“Machistério é a característica mais marcante da ameaça de direitos do governo provisório”, defende Raquel Moreno

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Militante feminista da Rede Mulher e Mídia, Raquel Moreno aborda as diferentes lutas das mulheres na questão de gênero durante IV Congresso Internacional de Ciências do Trabalho

Por Paula Zarth Padilha
Terra Sem Males

“Os direitos estão ruindo e ameaçados pelo governo provisório e a característica mais marcante é o ‘machistério’ criado por Temer”, alerta Raquel Moreno, militante feminista do Observatório da Mulher e da Rede Mulher e Mídia. Ela afirmou que a questão de gênero virou transversal e isso significa novas adequações e luta por novos direitos.

Para ilustrar, ela relatou que se uma mulher que tem criança pequena viaja a trabalho e o pai fica responsável por cuidar, não há fraldário que homens possam utilizar nos aeroportos, por exemplo.

Raquel citou algumas lutas de gênero que estão sendo retomadas por envolver direitos ameaçados: o ensino sobre gênero nas escolas, ameaçado por projetos de lei liderados pela bancada evangélica, que estimulam os pais a denunciar abordagens; assim como a possibilidade de aumento da criminalização do aborto, mesmo em casos permitidos por lei, que poderá punir mulheres e profissionais de saúde; a redução da maioridade penal, que vai atingir diretamente as mães, principalmente mulheres pobres e negras; a proposta de “bolsa estupro” em que está previsto o pagamento de estudo para filhos de mulheres estupradas que optarem por não interromper a gravidez.

“Se o trabalho enobrece o homem, ele acaba com a mulher”

Raquel disse que essa é uma boa piada que retrata a realidade, já que mulheres têm dupla jornada, de quatro a seis horas a mais por atividades domésticas e que a média brasileira é que homens fazem somente 10% dessas atividades. As mulheres também recebem remuneração equivalente a 70% do salário dos homens para mesma função.

Ela diz que a “economia feminista” pretende mudar os padrões no mundo que medem quantidade de mercadoria produzida com qualidade de vida como questão social importante.

Raquel participou da mesa “Movimentos sociais na defesa de direitos, do trabalho digno e da saúde”, onde também foram discutidas as dificuldades dos movimentos sindicais para o enfrentamento com o patronal nas questões de saúde.

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