Mais de 50 mil pessoas serão atingidas com a reestruturação do HSBC

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Curitiba terá prejuízos de R$ 80 milhões por ano com a saída do banco britânico do Brasil

Palácio Avenida, sede do HSBC Brasil, no centro de Curitiba. Foto: Joka Madruga

O banco Hong Kong e Shanghai Banking Corporation (HSBC) anunciou que irá deixar o Brasil e Turquia. Esta notícia irá afetar diretamente os 21.479 trabalhadores em diversos estados brasileiros e mais de 50 mil no mundo. E impactará muito mais indiretamente, principalmente os comerciantes próximos aos centros administrativos e grandes agências. Várias entidades que defendem os trabalhadores como o Sindicato dos Bancários de Curitiba e região, Fetec-PR e Contraf-CUT, poder público e comerciantes têm agido em defesa dos empregos dos bancários.

Diante desta realidade, o blog de jornalismo independente Terra Sem Males publica uma reportagem fotográfica de Joka Madruga sobre o tema. Confira abaixo:

Alexandre Domingues Pareja, comerciante na Avenida Kennedy. Foto: Joka Madruga

“Hoje o HSBC representa 50% do nosso faturamento. Teremos que buscar novas alternativas e a expectativa é de que quem adquirir o banco mantenha esta mesma estrutura”, lamenta o comerciante Alexandre Domingues Pareja. Ele investiu num restaurante que fica em frente ao Centro Administrativo Kennedy do banco HSBC, em Curitiba.

Elias Hennemann Jordão, presidente do Sindicato dos Bancários de Curitiba e região. Foto: Joka Madruga

“Nós acompanhamos com bastante preocupação, principalmente nos últimos meses, o cenário que acontece com o HSBC no Brasil. Apesar de todo esforço dos seus funcionários, que trabalham com metas abusivas, pressão, ameaças de demissão, eles tem se dedicado diariamente e tem gerado lucros para a instituição”, afirma Elias Hennemann Jordão, presidente do Sindicato dos Bancários de Curitiba e região.

Mirian Gonçalves, vice-prefeita de Curitiba. Foto: Joka Madruga

“A venda do HSBC é muito preocupante tanto pelos empregos, que é o ponto mais relevante, mas também o problema social que causará em Curitiba. Existe toda uma comunidade que se relaciona com todos estes bancários, desde restaurantes, cabeleireiros, etc. E por outro lado, como o HSBC tem sede em Curitiba, o ISS é recolhido para o município. Significa a perda de aproximadamente R$ 80 milhões, por ano, que a cidade deixará de usar nas suas obras e no social”, explica Mirian Gonçalves, Vice-Prefeita de Curitiba e Secretária Municipal do Trabalho.

Tadeu Veneri, Deputado Estadual e Presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Paraná. Foto: Joka Madruga

“O momento é muito difícil para os cerca de 22 mil trabalhadores que estão com os empregos em risco no país. No Paraná, são 12 mil empregos sem contar os trabalhadores terceirizados. Devemos encontrar alternativas para ajuda-los nesta etapa. Ou nos unimos agora para defender os empregos no Paraná, ou lamentaremos depois”, expressa Tadeu Veneri, Deputado Estadual e Presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Paraná.

Cristiane Paula Zacarias, Coordenadora Nacional da Comissão de Organização dos Empregados do HSBC. Foto: Joka Madruga

“A saída do banco representa uma traição, pois há poucos dias o banco negava que se preparava para a venda e dizia que era especulação da mídia. E hoje, a surpresa do anúncio da venda e das demissões. Os bancários estão apreensivos pois já não acreditam mais na palavra do banco, que pretende demiti-los em busca de mais resultado para os acionistas”, relata Cristiane Paula Zacarias, Coordenadora Nacional da Comissão de Organização dos Empregados do HSBC e diretora de Cultura do Sindicato dos Bancários de Curitiba e região.

Beto von der Osten, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro. Foto: Joka Madruga

“Não cabe à Contraf-CUT interferir em questões relativas à venda. Cabe a nós e as federações e seus sindicatos, lutarmos pela manutenção do emprego dos trabalhadores, defendermos os direitos e garantir que nosso emprego seja decente”, enfatiza Roberto von der Osten, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT).

Junior Cesar Dias, presidente da Federação dos Trabalhadores no Ramo Financeiro do Estado do Paraná. Foto: Joka Madruga

“O movimento é para chamar a atenção da sociedade para o que acontece. São mais de 20 mil trabalhadores com seus empregos colocados em risco. Com a saída do HSBC do Brasil, não sabemos se quem compra-lo irá manter os funcionários ou não”, informa Junior Cesar Dias, presidente da Fetec-PR (Federação dos Trabalhadores no Ramo Financeiro do Estado do Paraná).

Genivaldo Aparecido Moreira, diretor de Esportes do Sindicato dos Bancários de Curitiba. Foto: Joka Madruga

O HSBC está no Brasil há 18 anos. E este tempo todo explora os funcionários. Somos usados. O dia todo recebemos reclamações. Uma espécie de terrorismo com os funcionários”, desabafa Genivaldo Aparecido Moreira, diretor de Esportes do Sindicato dos Bancários de Curitiba e região e funcionário do HSBC.

Vilmar Macedo Granza, analista de TI no Centro Administrativo Kennedy do banco HSBC. Foto: Joka Madruga

“As coisas estão caminhando para a pior hipótese que poderíamos ter, que é a aquisição por um banco nacional. Estes bancos já tem seus centros administrativos em outras regiões do país e não precisam de outro. O retrato do futuro é a sede da Kennedy fechada. São mais de 1.300 trabalhadores atingidos diretamente, mais seus familiares e os comerciantes do entorno. O HSBC entrou sorrateiramente no país, ganhou o Bamerindus, recebeu incentivo do governo FHC e agora ele se retira porque diz que teve prejuízo. Eu me sinto agredido com esta situação”, denuncia Vilmar Macedo Granza, analista de TI no Centro Administrativo Kennedy do banco HSBC.

Saiba mais: Acompanhe as ações do Sindicato, Fetec-CUT-PR e Contraf-CUT

Por Joka Madruga
Terra Sem Males

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