|Mate, café e letras| Crônica da cidade de Uyuni

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Por Pedro Carrano
Terra Sem Males

Agora Julia não tem mais problemas para viver o tédio do deserto cercado de sal onde está cravada a cidade de Uyuni.

Quando alguém sente sua falta, sabe onde achá-la: a menina fica das seis da tarde até de madrugada na única casa de internet da cidade, na única rua urbanizada, centro do vilarejo.

Sem querer a jovem descobriu que o castelhano a leva mais longe que o quíchua ensinado pelos pais. Às vezes Julia fecha mais cedo a barraca do mercado onde trabalha sozinha, só para entrar no bate-papo. Não sente a mínima falta das moscas se aglomerando sobre as frutas que Julia tem de vender.

Mas Julia também não imagina que agora está perdendo, na única e velha praça de Uyuni, o cheiro da pele dos meninos que ainda se juntam por ali.

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