MST libera rodovias após três dias de bloqueios no Paraná

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O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) liberou na tarde de sexta-feira, 20 de maio, as rodovias de Tamarana, Nova Laranjeiras, Faxinal, e as praças de pedágios em Mandaguari e Arapongas, que estavam ocupadas desde quarta-feira (18), no Paraná.

As mobilizações iniciaram quando a Polícia Militar do estado, a mando de Valdir Rossoni, secretário Chefe da Casa Civil do Paraná, realizou o despejo das 1,2 mil famílias do Acampamento Sebastião Camargo, localizado na ocupação Fazenda Santa Maria, em Santa Terezinha do Itaipu. Os donos da área foram citados nas delações do doleiro Alberto Youssef e do lobista Fernando Moura, durante as investigações da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, por desvio de dinheiro público na Petrobrás.

Os trabalhadores Sem Terra se mobilizaram para denunciar a violência com que o governo do estado, com o aparato policial, vêm tratando a Reforma Agrária, como os dois assassinatos, em emboscada, de Vilmar Bordim, 44 anos, e Leonir Orback, 25 anos, no acampamento Dom Tomás Balduíno, em Quedas do Iguaçu, e o despejo truculento em Santa Terezinha. Além disso, eles cobram um plano para assentar as 10 mil famílias acampadas no Paraná.

A liberação das rodovias e pedágios só aconteceu após a definição de uma audiência, marcada para a próxima quarta-feira, 25 de maio, com o governador Beto Richa, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), e com governo federal.

Na quarta-feira (18), o MST divulgou uma nota oficial, onde coloca que os atos de violência vividos atualmente no Paraná, são muitos semelhantes aos do segundo mandato do ex-governador Jaime Lerner (1999 a 2003), quando centenas de famílias do MST passaram a ser aterrorizadas, torturadas, ameaçadas, além de registros de mais de 120 despejos, cerca de 470 prisões arbitrárias e 16 mortes de membros do Movimento.

Confira a nota:

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) vem a público informar e denunciar que na manhã dessa quarta-feira (18/05), 650 Policiais Militares se deslocaram para o município de Santa Terezinha do Itaipu, região oeste do Paraná, a mando do Governo do estado, Beto Richa, e do Secretário Chefe da Casa Civil do Paraná, Valdir Rossoni, para despejar as famílias do Acampamento Sebastião Camargo, assim batizado a ocupação na Fazenda Santa Maria.

A fazenda ocupada em março deste ano por 1,2 mil famílias Sem Terra, pertence aos irmãos Licínio de Oliveira Machado Filho, presidente da Etesco, e a Sérgio Luiz Cabral de Oliveira Machado, ex-presidente da Transpetro, ambos envolvidos no desvio de dinheiro público na Petrobrás, citados nas delações do doleiro Alberto Youssef e do lobista Fernando Moura, durante as investigações da Operação Lava Jato, da Policia Federal. Com o despejo o Governo do Estado rompeu unilateralmente o acordo que previa uma solução para as famílias acampadas nos próximos 90 dias.

A mesma Polícia Militar do estado do Paraná, que realiza essa ação a mando do Rossoni, assassinou em emboscada, no dia 07 de abril desse ano, a tiros de pistola e fuzil pelas costas, os integrantes do MST, Vilmar Bordim, 44 anos, e Leonir Orback, 25 anos, no Acampamento Dom Tomás Balduíno, em Quedas do Iguaçu, área decreta publica pela justiça federal. A Polícia também feriu, gravemente, outros dois integrantes do Movimento, Pedro Francelino e Henrique Gustavo Souza Pratti.

Esses casos recentes de violência contra trabalhadores Sem Terra, por parte do Governo do Paraná, Policia Militar e Policia Civil, são muito semelhantes aos vividos no segundo mandato do ex-governador Jaime Lerner (1999 a 2003), onde centenas de famílias do MST passaram a ser aterrorizadas, torturadas, ameaçadas, foram mais de 120 despejos, cerca de 470 prisões arbitrárias e 16 mortes de membros do MST. Era uma política orquestrada pela elite paranaense, que se apropriou do aparelho de repressão do estado, em aliança com o poder judiciário e a mídia, atendendo os interesses dos fazendeiros proprietários de terras, com o objetivo de criminalizar e desmoralizar a luta pela Reforma Agrária, onde a luta pela terra foi tratada como questão policial e não uma questão social. A violência tão barbara que a Organização das Nações Unidas (ONU) condenou o Brasil e o Governo do Paraná por crimes contra Direitos Humanos.
Com o aumento da violência cometida pelo Governo do Paraná em 2016, com assassinatos em Quedas do Iguaçu, e o despejo na Fazenda Santa Maria, em Santa Terezinha do Itaipu, coloca o Paraná, mais uma vez no cenário de violência contra os trabalhadores Sem Terra, e o Governo Beto Richa assume a postura de instrumentalizar a violência na medida que delega para Valdir Rossoni, secretario chefe da casa civil, a condução politica da Reforma Agrária, atendendo os interesses dos fazendeiros e financiadores de suas campanhas eleitorais, rompendo quatro anos de uma condução pacifica de dialogo vitorioso.

Esperamos que o Governador Beto Richa, assuma para si a condução política da Reforma agrária em parceria com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), e Governo Federal, norteada pelo dialogo na busca de soluções para os conflitos agrários paranaenses.

Para isso o MST propõe:

– O imediato afastamento do Secretario Chefe da Casa Civil, Valdir Rossoni, e da Policia Militar no tratamento da questão agrária. Chega de violência, prisão, assassinatos e despejos.

– Que o Governo Estadual, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) do Paraná e Nacional, abram o dialogo e busquem um plano para assentar as 10 mil famílias acampadas no Paraná.

– Alertamos as autoridades estaduais que, os governos que utilizaram do aparelho do Estado para reprimir os problemas sociais ficaram marcados na história como bárbaros, tiranos, sanguinários e violentos, e que nem por isso conseguiram sufocar e enfraquecer a luta dos camponeses para o acesso a terra, a produção de alimentos saudáveis, a educação, e a garantia de outros direitos sociais e humanos.

Fonte: Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)

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