Multidão marcha em Cascavel contra a Reforma da Previdência

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Cerca de duas mil pessoas participaram nesta quarta-feira, 15 de Março, do ato unificado da classe trabalhadora em Cascavel contra a PEC 287/2016, proposta de reforma da Previdência que esfacela um direito fundamental dos trabalhadores brasileiros: o direito à aposentadoria. A mobilização fez parte do Dia Nacional de Lutas e Paralisações convocado em todo o país por centrais sindicais.

Em Cascavel, a mobilização reuniu trabalhadores de várias categorias, tanto do serviço público quanto da iniciativa privada, além de estudantes secundaristas. A concentração aconteceu em frente à Catedral Nossa Senhora Aparecida e de lá, os manifestantes partiram em marcha até a sede da Previdência Social, na Rua São Paulo.

Professores, servidores públicos, comerciários, metalúrgicos, motoristas, vigilantes, frentistas, agricultores, enfim, a classe trabalhadora esteve unida contra o desmonte da Previdência. “Hoje é um chamado à população para que se conscientize, que esteja nas ruas com a gente, que cobre nossos representantes, pois essa contrarreforma irá afetar a todos”, comentou Gracy Kelly Bourscheid, presidente do Sinteoeste (Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos do Ensino Superior do Oeste do Paraná).

O ato teve cobrança aos deputados de Cascavel e região. Eles foram citados nos discursos dos manifestantes quanto ao seus posicionamentos numa eventual votação da reforma da Previdência no Câmara Federal. Para os sindicalistas, a PEC 287 vem no rastro da aprovação da PEC 55/2016, que congelou os investimentos públicos por vinte anos, e abre caminho para outra reforma que atenta contra direitos históricos: a reforma trabalhista.

Gracy Kelly aponta que, caso a PEC 287 seja aprovada, a aposentadoria ficará cada vez mais distante, obrigando os brasileiros a trabalharem praticamente até o fim da vida para conquistar o benefício. “É uma proposta nefasta para todos, tanto para o serviço público quanto da iniciativa privada, especialmente para os trabalhadores rurais e as mulheres”, afirma a dirigente, especificando o item da proposta que pretende igualar a idade mínima de 65 anos entre homens e mulheres.

Professores

Outro ponto controverso da PEC é o fim da aposentadoria especial dos professores, que hoje podem encerrar a carreira com 25 e 30 anos de serviço para mulheres e homens, respectivamente. “Não poderíamos ficar de fora deste ato diante dessa proposta cruel do Governo Temer, que atingirá especialmente os professores. Estamos aqui para mostrarmos nossa indignação diante dessa reforma que irá ferir de morte a classe trabalhadora”, destacou Amilton Pelleti, presidente do Siprovel (Sindicato dos Professores da Rede Municipal de Cascavel).

Tão perniciosa aos trabalhadores quanto à reforma previdenciária é a reforma trabalhista, já encaminhada ao Congresso pelo presidente Michel Temer (PMDB). Ela também foi alvo dos protestos neste 15 de março. “Esse ato em Cascavel, que soma-se as manifestações de milhões de trabalhadores pelo país, é o início de uma jornada para tentarmos barrar essa duas medidas, a reforma da previdência e a trabalhista. Que não são reformas, mas uma complementação do golpe contra à classe trabalhadora”, citou professor Paulino Pereira da Luz, presidente da APP-Sindicato.

Estudantes

O movimento estudantil esteve presente em apoio à classe trabalhadora e aos sindicatos organizados. A presidente da ACES (Associação Cascavelense de Estudantes Secundaristas), Stefany Kovalski, lembra que a juventude será uma das mais afetadas com a chamada ‘PEC da Morte’. “Nos posicionamos contra a reforma e a todos os descasos à educação brasileira. Estamos aqui para garantir que nossos direitos e de todo trabalhador sejam assegurados. Nenhum direito a menos!”, exclamou a estudante.

Os dirigentes sindicais fizeram uma avaliação positiva do ato deste 15 de Março e destacaram a importância de expor a mentira que está por trás do suposto “déficit” da Previdência e os objetivos claros da PEC 287: aumentar a exploração dos trabalhadores e, ao mesmo tempo, garantir a continuidade de pagamento de uma dívida jamais auditada e que favorece apenas banqueiros, grandes empresários e investidores.

Texto e foto: Júlio Carignano

 

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