Nos dê um time e te daremos 40 mil sócios

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Roger Pereira
Terra Sem Males
Coluna GV Inferior – Atlético Paranaense

Nosso presidente Mário Celso Petráglia voltou a causar polêmica ao chamar, de novo, a torcida atleticana de falácia e a culpar o baixo número de sócios do clube pela fragilidade de nosso elenco. No twitter, na semana passada, ele disse que se o clube tivesse 40 mil sócios, poderia contratar reforços de primeira linha e montar um time com capacidade para disputar títulos nacionais.

Pois eu te digo, Mário Celso Petraglia, que a ordem dos fatores deveria ser exatamente o inverso: nos dê um time decente, e, naturalmente, terás os 40 mil sócios.

Hoje, o Atlético conta com pouco mais de 20 mil sócios. São 20 mil heróis, que fazem a sua parte para ajudar o Furacão, e toleram, há anos, espetáculos medíocres na Arena da Baixada (e também na Vila Capanema, Janguito Malucelli, Carangueijão, Arena Joiville e outros estádios que tivemos que visitar no período de obras da Baixada e de perdas de mando de campo por confusões em nosso e em outros estádios). Vinte mil pessoas que, no meio da crise econômica, com dificuldades financeiras, esforçam-se para manterem-se em dia com os, no mínimo, R$ 150 por mês para assistir Cléos, Badis, Kadus, Dellatores e companhia (para não citar os jogadores limitados do atual elenco, que não são culpados de terem sido contratados e não precisam ser expostos).

Muitos outros gostariam de estar entre os sócios do clube, garantindo seu lugar em todos os jogos, tendo sua cadeira reservada e podendo, também participar da política do clube, mas o valor mensal e a atual qualidade do espetáculo que lhes é oferecida, está longe de valer a pena. Nos últimos anos (situação que deixou de existir em 2016), por exemplo, o sócio pagava o ano inteiro para assistir seus ídolos, mas só os via a partir de maio, já que no Campeonato Paranaense, o Atlético era representado pelo sub-23. Quando chegava o Campeonato Brasileiro, não faltava emoção, mas numa disputa, na maioria das vezes, contra o rebaixamento e não pelas primeiras posições da tabela.

Se, neste ano tivemos a chance de ver o time principal desde o início da temporada, as primeiras três partidas em casa no Campeonato Brasileiro mostram que o atleticano precisa ser realmente apaixonado em pagar mensalmente para ir a todos os jogos do clube e sofrer em partidas tecnicamente fraquíssimas como as que o time fez contra Atletico-MG, Figueirense e Santa Cruz.

Além da qualidade do time, outra questão que afasta o sócio é o preço. No Brasil, hoje, quatro times superaram os 100 mil sócios: Corinthians, Palmeiras, Internacional e São Paulo. Em comum, esses clubes adotaram modalidades mais baratas de associação (O Inter, por exemplo, tem plano a partir de R$ 30,00), e, antes de atingir a marca que os colocam entre os clubes com mais sócios no mundo, conquistaram títulos importantes no cenário nacional e internacional, despertando o interesse do torcedor de acompanhar de perto novas conquistas. Se a comparação com os times do eixo e, até, do Rio Grande do Sul é injusta, tomemos o exemplo das equipes do Nordeste: como o Santa Cruz conseguia lotar seu estádio mesmo na série D? Certamente não era cobrando R$ 150,00. E como, hoje, na série A, consegue bancar um jogador do nível do Grafite? E o Sport com o Diego Souza? Na série B, o Bahia segue lotando estádios e tem mais sócios que o Atlético, cerca de 25 mil.

O programa de sócio torcedor do “Tricolor de Aço” tem categorias a partir de R$ 20,00. Para ver todos os jogos do clube em casa, modalidade que caracteriza o Sócio Furacão, investe-se a partir de R$ 59,00 por mês. E o estádio deles também é de Copa do Mundo. Não precisamos, de início, de oito ou 10 atletas de R$ 300 mil, como promete o presidente caso atinjamos os 40 mil sócios, mas precisamos de um elenco de qualidade, não de apostas ou jogadores de empresários, que passam 6 meses pelo clube para ter uma vitrine visando uma equipe maior.

Quanto custava o elenco de 2001? Tinha oito super estrelas?? E o de 2013, o último a dar esperanças em nível nacional ao Furacão? Ederson, Everton, Marcelo, Manoel, custavam tudo isso? Com um time disputando as primeiras posições dos torneios que participa, o torcedor certamente fará questão de ser sócio, para ajudar o clube e garantir presença nas partidas decisivas e nas competições internacionais, cujos ingressos costumam esgotar. Antes disso, só se o preço cobrado for compatível com o espetáculo apresentado.

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