NPC: 20 DE NOVEMBRO É UMA DATA DE RESISTÊNCIA E SUBVERSÃO

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Nesta sexta-feira, 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, os debates durante o terceiro dia do 21º Curso Anual do Núcleo Piratininga de Comunicação, no Rio de Janeiro, começaram sobre a televisão no Brasil e se misturaram diante da invisibilidade do negro na televisão comercial.

“Quando o negro aparece (na TV), é alguém para servir ou para ser alvo, violentado, servir de mau exemplo”, como relatou o comunicador popular André Gavazza.

Andre Gavazza, comunicador popular. Foto: Joka Madruga
Andre Gavazza, comunicador popular. Foto: Joka Madruga

A historiadora e educadora popular Natana Magalhães relatou inúmeros casos da forma como o negro é retratado nos programas de televisão, seja no telejornalismo ou entretenimento. Natana defendeu o 20 de novembro como data de resistência.

Natana Magalhaes, historiadora e educadora popular. Foto: Joka Madruga
Natana Magalhaes, historiadora e educadora popular. Foto: Joka Madruga

“Hoje é Dia da Consciência Negra e esse dia é muito importante. A sociedade brasileira quis fechar os olhos para o racismo, que está no DNA dessa sociedade. O 20 de novembro é um contraponto ao engodo oficial que nunca engolimos, que é o 13 de maio, a farsa da abolição. A data de hoje tem caráter de resistência e subversão”.

Paulo Victor Melo, professor doutorando de comunicação e política, relacionou a forma como o negro é tratado na televisão com inúmeros casos de violações de direitos humanos em cada aparição do negro na TV aberta. “Geralmente esses conteúdos não violam apenas um direito. Violam uma série de direitos. Estamos falando de concessões públicas. Espaços que têm compromissos com o interesse público, com a dignidade e os direitos humanos”, diz.

Paulo Victor Melo, doutorando de comunicação e política. Foto: Joka Madruga
Paulo Victor Melo, doutorando de comunicação e política. Foto: Joka Madruga

Conservadorismo propagado pela TV

Para Paulo, devemos discutir não a opinião das pessoas, mas as raízes na formação de opinião. “Eu acredito que os meios de comunicação têm papel fundamental na formação dessas opiniões. Temos sinais que o papel que a TV pode ter vai além do pensamento conservador. São reacionários que beiram o fascismo e não são só dos meios de comunicação. Esse pensamento está nas ruas, nas ações individuais e coletivas de cidadãos, nas redes sociais, nas manifestações de ódio, desrespeito e intolerância, no Estado com aprovação de leis que ferem direitos. E tem como aliado os meios de comunicação, principalmente na TV, mas está circulando o tempo podo entre nós”, explanou.

O jornalista Laurindo Lalo Leal, da TV Brasil, também falou da importância da esquerda debater o conservadorismo. “É fundamental discutir o conservadorismo que se acentua e sua exacerbação em determinados momentos de crise econômica. Sempre que questões econômicas começam a atingir setores privilegiados da sociedade o conservadorismo se acentua em níveis fascistas”, afirmou.

Laurindo Lalo Leal, jornalista da TV Brasil. Foto: Joka Madruga
Laurindo Lalo Leal, jornalista da TV Brasil. Foto: Joka Madruga

Ele falou que a televisão continua sendo o principal meio de informação da população brasileira. De acordo com pesquisa da Fundação Perseu Abramo, 85% das pessoas se informam pela televisão. “A TV nos cerca por todos os lados. Reproduz ideias conservadoras que estão em jornais impressos e revistas que são lidos por poucos e são decodificados e popularizados pela televisão e pelo rádio”.

Para Lalo Leal, esse conteúdo da TV altamente conservador precisa ter análise crítica pelos que militam pela comunicação popular. “Fico incomodado com a falta de análise crítica que a comunicação alternativa deveria fazer da mídia. Há uma certa anestesia que a televisão faz na sociedade. A população tem muita dificuldade de refletir criticamente sobre ela. Parece que é de graça que ela chega, e não se olha os dentes. Mas tudo é pago com a publicidade”.

Os debates continuam nesta manhã com mais uma mesa sobre a televisão: “Programas policiais e cobertura de crimes”. Na parte da tarde, os palestrantes vão falar sobre democratização da comunicação e sobre a Guerra do Contestado.

Por Paula Zarth Padilha
Terra Sem Males

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