O mundo encantado dos Ricardos

Compartilhe esta notícia.

Os Mauricinhos Ricardos não estão apenas no governo do Paraná. No Brasil, as empresas têm dado calote na previdência.

A crise pela qual o Brasil passa é só para Josés e Marias. Para os mauricinhos e patricinhas, o rentismo e a boa vida seguem intocáveis. São gordas comissões acumuladas, salários e participação de lucro em empresas públicas, ou calotes, isenções e sonegação de tributos. Aqui, no Paraná, temos um bom exemplo dessa elite que está no poder para sacrificar o trabalhador enquanto mantém intacto seus brioches. É o caso de Maurício Ricardo, secretário de finanças. Ele é responsável pelo conjunto de austeridades impostas aos professores e servidores estaduais. Cortes na carne e na progressão desses trabalhadores. O ex-secretário de Gilberto Kassab e de ACM Neto tem uma especialidade: aumentar os rendimentos dos acionistas de empresas do governo.

Comissões gordas

A especialidade rende gordo solto para o secretário, que sequer fica constrangido com alto salário. Maurício Ricardo disse, na Assembleia Legislativa, que é conselheiro em seis empresas públicas. Para isso, recebe R$ 27 mil por mês. Apesar de a Lei de Responsabilidade Fiscal determinar a participação de apenas dois conselhos, Ricardo não quis abrir mão do jabá. Para ele, a lei foi mudada depois que ele integrava a Copel, Fomento Paraná, Paranacidade, Sanepar, Cohapar e Agência Paraná de Desenvolvimento. Logo, o banquete com dinheiro público é “um direito”.

Sobremesa

Do prato principal, Maurício Ricardo não contou que ainda tem uma sobremesa. De acordo com o deputado estadual Nereu Moura, o secretário da fazenda “é presidente do conselho de administração da Companhia Paranaense de Securitização, que vende créditos do governo do estado com descontos generosos na Bolsa de Valores”.

Sal de frutas

Curiosamente, essa empresa deu prejuízo ao Paraná de R$ 807 mil em razão de despesa com pessoal , referente à remuneração dos diretores e conselheiros. A solução foi aumentar o capital social para R$ 2 milhões. A medida foi criticada por Nereu: “Já existe prejuízo em se oferecer créditos com descontos na Bolsa, a estilo ‘Black Friday’, e Beto Richa banca salários altíssimos para conselheiros. Rogério Perna, por exemplo,  recebe mais de R$ 25 mil por mês”, argumenta o deputado.

Pago quando puder

Os Mauricinhos Ricardos não estão apenas no governo do Paraná. No Brasil, as empresas têm dado calote na previdência. Sim, essa mesma que querem reformar culpando o trabalhador. A dívida ativa da Previdência atingiu R$ 432,9 bilhões em janeiro de 2017. Para se comparar, em 2015, o Brasil pagou 436 bilhões com benefícios previdenciários. Logo, se o governo cobrasse as empresas, não precisaria transferir a conta para a população. Mas prefere fingir que não vê calote de bancos públicos e privados e empresas de transporte aéreo e terrestre que ocupam as 20 primeiras posições.

Indigesto

Quando o caixa 2 chegou aos tucanos, o ministro do STF disse que pode ser que não ocorra corrupção. “Temos o caixa 2 que é defeituoso do ponto de vista jurídico, mas não tem nada de corrupção e temos o caixa 2 propina”, argumentou depois que se fortalecem denuncias de ocultação de valores de Aécio Neves e cia.

Digestão

O ministro Luís Roberto Barroso pensa diferente. À Folha, disse: “caixa dois e corrupção podem, de fato, ser coisas diferentes”. “Mas ambos são crimes”, concluiu.

_______________

Manoel Ramires
Terra Sem Males
Pinga Fogo
Foto: Pedro Oliveira/Alep

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *