“O pior da crise a gente tende a ter atravessado”, afirma economista do Dieese

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Por Paula Zarth Padilha
Terra Sem Males

Na tarde de terça-feira, 03 de maio, o Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticas Socioeconômicas (Dieese) realizou, em Curitiba, a 12ª Jornada Nacional de Debates: desafios da negociação coletiva em cenário de crise, com o técnico do Dieese Sandro Silva.

Evolução do PIB 
O economista Sandro Silva traçou um comparativo desde o ano de 2003 para expor a evolução do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Ele explicou que a partir de 2004 houve retomada de crescimento justificada por uma mudança de atuação do Estado na economia. “É o Estado utilizado como indutor do crescimento com a valorização do mercado interno”, explicou. Isso foi possível com o aumento do crédito, a diminuição dos juros, a política de valorização do salário mínimo e maior investimento social.
Sandro explica que desde 2014 o país está desacelerando o crescimento econômico, com impactos da crise internacional, a política de manutenção de juros altos que o governo mantém e pelo chamado “clima negativo” fomentado pela mídia comercial, que insiste em destacar aspectos negativos mesmo existindo dados positivos.
Outro elemento apresentado pelo economista do Dieese como fomentador da crise é a especulação financeira que se mantém com a taxa Selic pagando os maiores juros do mundo. “As grandes empresas não ganham só produzindo, ganham especulando no mercado financeiro”.
Outros fatores: longo período com o real valorizado diante do dólar (câmbio), prejudicando o mercado interno ao favorecer importações; a crise fiscal do governo federal no final de 2014, que gastou mais do que arrecadou; política de incentivo fiscal a determinados setores: a desoneração teria feito o governo deixar de arrecadar R$ 100 bilhões em 2014 com o incentivo às empresas, que não aplicaram esse valor na produção e geração de emprego. O resultado foi  a queda do PIB a – 3,8% em 2015. Para 2016, a estimativa é que o PIB ainda apresente queda, com projeção de crescimento de 0,40% em 2017.
“Lógica maldita” beneficia sistema financeiro
Sandro abordou também a postura do governo ao aumentar os juros da dívida interna, que gastou R$ 300 bilhões em 2015 pagando esses juros, beneficiando somente o setor financeiro (bancos) e quem tem dinheiro para aplicar em títulos públicos do governo. O aumento de juros da dívida interna foi utilizado para frear o impacto da alta dos impostos de produtos e serviços que afetam a população.
As tarifas públicas, como água e luz, que tiveram reajustes significativos em 2015 representam 40% da inflação do ano passado, mas ele explica que a partir de 2016, esses itens vão pressionar menos, com reajustes menores.
Os setores mais afetados pela crise fiscal e política foram a indústria da transformação, a construção civil, serviços e comércio. A agropecuária foi o setor que continuou em crescimento no ano passado.
Projeções positivas para 2016 e 2017
 
A estimativa de inflação para o ano de 2016 está atualmente em 7,4%, lembrando que fechou 2015 em 11,28% e, de acordo com Sandro Silva, a estimativa de inflação está caindo mês a mês, por conta da recessão atual que pressiona o comércio para a redução de preços e a pressão menor das tarifas públicas.
Evolução do emprego
A exposição de conjuntura econômica do Dieese foi encerrada com dados sobre emprego, desemprego e mercado formal de trabalho. Para comparar, em 2003 haviam no país 29,5 milhões de trabalhadores com carteira assinada, de acordo com dados da RAIS, do Ministério do Trabalho. O último dado dessa fonte é de 2014, que registrou 49,6 milhões de trabalhadores formais.
Em 2015, foi o primeiro ano desse período de pleno emprego, que foi registrado saldo negativo no trabalho formal. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), também do MTE, apontam saldo negativo de 1,542 milhão de empregos. Contudo, o retrocesso foi pouco diante do crescimento nos últimos anos. Em janeiro de 2015 o Caged registrou 39,5 milhões de empregos formais no Brasil.
Já o aumento do desemprego é justificado pelo aumento da procura de emprego no período, como por exemplo, de jovens que até 2014 não tinham a necessidade de trabalhar e que com a redução da renda da família entraram no mercado de trabalho, como desempregados.
“A situação econômica é determinante nas negociações coletivas. Mas o pior da crise a gente tende a ter atravessado”, acredita o economista do Dieese.
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