O Posto Ipiranga falhou, hora de trocar

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Por Fernando Lopez | Foto: Ciaran McCrickard

Em conversas sobre a economia bolsonariana eu costumo dizer que o pior ainda está por vir. Alguns me acusam de excesso de pessimismo, mas basta uma análise racional da conjuntura para que se confirme minha afirmação.

O processo de estelionato político que se iniciou em 2013 infectou a economia e nos colocou em uma situação caótica e sem solução à vista. Nada no receituário neoliberal dos que hoje estão no poder irá resolver os problemas que se aglomeram e se fortalecem desde que os mais pobres foram excluídos do orçamento e da pauta nacional.

Nessa semana alguns números vieram confirmar o fracasso das políticas neoliberais que começaram a ser implantadas por Temer e Meirelles e que se ampliaram sob Bolsonaro e Guedes.

O Produto Interno Bruto de 2019 ficou em 1,1%, uma indecência se levado em consideração que medidas controversas que foram vendidas como necessárias para a volta do crescimento econômico já estavam em vigor, como o Teto de Gastos e a Reforma Trabalhista.

Nas entrelinhas o PIB de Guedes traz explicações para o fracasso da política econômica neoliberal. O investimento público foi praticamente zero em 2019 e não foi compensado de maneira significativa pelo investimento privado, apesar dos investidores terem conseguido praticamente tudo o que sempre sonharam: reformas várias, arrocho salarial, retirada de direitos trabalhistas, juros baixos (a Selic mais baixa da história), entre outros.

Levando em consideração que em 2019 se aprovou o Santo Gral do neoliberalismo – a Reforma da Previdência – a falta de entusiasmo dos chamados investidores é preocupante. O que mais esperam os donos do dinheiro para finalmente investir? As reformas tributárias e administrativas estão encaminhadas e prometidas pelo Executivo e garantidas pelo Legislativo. O que mais falta para os donos do capital abrirem suas carteiras e entregarem os prometidos investimentos?

Enquanto os gatos gordos do capitalismo tupiniquim esperam as condições ideais, os problemas vão se acumulando.

O Real em franca desvalorização está valendo pouco mais de 20 centavos de dólar e tende a cair ainda mais. A moeda foi a que mais se desvalorizou em 2020, entre todas do planeta.

O emprego formal está se tornando raridade, substituído por atividades precarizadas, sem garantias e propagandeadas na mídia como nobre empreendedorismo. O trabalhador vem perdendo brutalmente sua capacidade de consumir, o que se reflete na fragilidade da economia real e na sua incapacidade de recuperação.

A balança comercial tem apresentado um equilíbrio vicioso, onde a queda de exportações – por falta de competitividade – tem sido acompanhada pela queda das importações, por falta de demanda interna.

A China, nosso maior parceiro comercial, está lutando contra o coronavírus, o que já está afetando gravemente sua economia e trazendo a possibilidade cada vez mais real de uma recessão global.

Mas entre todos os fatos e circunstâncias que formam esta tempestade perfeita que se aproxima, o que mais preocupa é a total falta de competência e de sensibilidade dos que estão no governo.

Paulo Guedes é talvez a pior pessoa para comandar a economia em um momento de grave crise, por sua total e absoluta falta de empatia com os mais pobres, com os trabalhadores e trabalhadoras, com os pequenos empresários e com tudo que diz respeito à economia real, com a realidade do povo brasileiro.

O senhor Ministro da Economia é uma caricatura do banqueiro avarento, um incompetente com diploma estrangeiro, um desqualificado.

Quando o Chefe do Executivo – outro imbecil -é questionado sobre os percalços da economia sua resposta se divide em “dar uma banana” para a sociedade que clama por uma explicação ou mandar que se pergunte ao oráculo do Posto Ipiranga.

Acontece que o tal oráculo não possui as respostas, já que toda sua formação acadêmica e profissional é baseada nas experiências fracassadas da escola de Chicago, como ficou evidente no descalabro que ocorreu no Chile, país cobaia dos experimentos dos discípulos de Friedman.

Paulo Guedes já deveria ter sido demitido. Razões para isso abundam. O que causa pânico é que ele continua no cargo, como se tudo que estamos sofrendo não fosse culpa de sua visão elitista e distorcida da economia.

É difícil prever o que de pior ainda pode acontecer, mas uma coisa é certeza absoluta. Enquanto o neoliberalismo de Paulo Guedes estiver ditando os caminhos de nossa vida econômica, o buraco que começou a ser cavado quando o partido de Aécio Neves se recusou a aceitar que perdeu a eleição só fará aumentar.

Fica então um aviso aos tais investidores, para quem toda a política econômica desse governo se destina: Quando às condições que vocês consideram ideais para investir se concretizarem, provavelmente não valerá mais a pena. Não haverá sobrado nem o Posto Ipiranga.

Fernando Lopez é colunista do Terra Sem Males e idealizador do Social Lista SA.

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