“O secretário de governo está criando problemas”, define Mirian Gonçalves

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Vice prefeita alega que 1200 famílias e servidores municipais estão sendo prejudicados.                                              

Texto: Manoel Ramires/Sismuc
Foto: Joka Madruga/Terra Sem Males/Sismuc

A vice-prefeita de Curitiba, Mirian Gonçalves, detectou o problema da não publicação dos decretos que anistiavam paralisações de servidores públicos e regularizava moradia para 1,2 mil famílias na CIC. O responsável é o secretário de governo, Ricardo Mac Donald. Para Mirian, que havia assinado os decretos enquanto exercia o cargo de prefeita, “o secretário de governo faz o que mais sabe: criar problemas”, identificou.

Em entrevista exclusiva (em breve na íntegra), a Mirian destacou que os decretos assinados por ela não trazem despesas para a Prefeitura de Curitiba. Também disse que suas decisões trazem justiça social. “O que menos estão se preocupando nesses casos é com a população”, comenta. Ela disse que se isso gerasse crime de responsabilidade, ela assumiria o ônus.

Foto: Joka Madruga/Terra Sem Males
Foto: Joka Madruga/Terra Sem Males

Política de primeiro mandato, Mirian Gonçalves nega que tenha tentado embaraçar o prefeito Gustavo Fruet.  “É final de mandato dele. Não tenho como prejudicá-lo. Eu não estou subordinada ao prefeito, pois fui eleita junto”, destaca.

Para a vice-prefeita, foi o ato do secretário que expôs o prefeito. “É inadmissível que a Prefeitura fique sem publicar um decreto na internet ou em jornal de grande circulação”, exemplificou. Ela informa que já solicitou uma agenda com Gustavo Fruet e espera que ele seja solidário a causa. Para Mirian, os decretos não trazem prejuízo à gestão e atendem pautas de interesse coletivo.

Entenda o caso

A vice-prefeita assumiu quando Gustavo Fruet estava em viagem ao México. No exercício do cargo, ela assinou três decretos tratando de conciliação de greves de servidores municipais, de regularização de terras e homenagem ao advogado trabalhista e ex-deputado federal Edésio Passos, falecido em agosto.

Mirian justificou que o prefeito havia abonado greves do período de 2007 a 2012. Depois paralisação da educação em 2013. Fruet também teria recebido o MTST para discutir a regulamentação de terras. Com relação à homenagem, ela conta que conversava com o prefeito desde o falecimento do político.

Após o boicote do decreto, o Sismuc cobrou ação do prefeito Gustavo Fruet. “É lamentável não só a obstrução do exercício democrático da prefeita Miriam Gonçalves, mas também – e principalmente – que esses três decretos fossem descartados. Os decretos não acarretariam oneração dos cofres públicos e resolveriam conflitos instaurados na gestão Gustavo Fruet. Além disso, traria uma demonstração de respeito aos servidores que legitimamente brigaram por valorização”, destaca Irene Rodrigues, coordenadora geral do Sismuc

Áreas ocupadas

MTST lança campanha #publicaFruet

O Movimento dos Trabalhadores Sem Teto está lançando campanha para que o prefeito Gustavo Fruet publique o decreto assinado por Mirian Gonçalves. Com a hastag #publicaFruet, o MTST busca sensibilizar o prefeito para a importância de considerar a área utilidade pública. O coordenador do MTST, Paulo Bearzoti Filho, destacou a coragem de Mirian Gonçalves em assinar os decretos. “São 1,3 mil famílias que ficaram em situação de vulnerabilidade e que conquistavam um direito”. Por outro lado, questionou a não publicação do decreto. “Isso me parece irregular. Se ela tinha o poder de editá-lo, que entre em vigor. É como se houvesse um boicote no detalhe da publicação”, questiona.

Foto: Joka Madruga/Terra Sem Males
Foto: Joka Madruga/Terra Sem Males

Bearzoti também recordou que o prefeito aprovou o aluguel social, mas não implementou. “Nós fizemos reuniões na prefeitura. Todos garantiram que Fruet não ia vetar a lei. Mas nunca regulamentou. Isso já faz mais de um ano. Ele fica no meio termo e a coisa não acontece”, critica a indecisão.

O decreto declarou a área de utilidade pública regiões que envolvem as ocupações Tiradentes, Nova Primavera, 29 de Março e D. Cida. É uma grande área para ser desapropriada, cerca de 210 mil m2. “A decretação das áreas de interesse social é o que a gente precisa, pois é o primeiro passo para dar estabilidade. Todo mundo falou isso na campanha. Por que não fazer agora?”, finaliza o coordenador.

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