O uso da força em manifestações

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por Manoel Ramires
Terra Sem Males

O impedimento da presidenta Dilma Rousseff devolveu às ruas os jovens que iniciaram as jornadas de junho de 2013. O retorno ocorre em torno de uma pauta progressista, pela busca de direitos e, principalmente, contra o golpe. Esse retorno é acompanhado do confronto com as forças policiais que haviam atuado com parcimônia nos protestos “verde e amarelo”.

Essa postura, de conflito e confronto, é analisada pelo professor universitário da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Emerson Cervi. Ele comenta como as polícias se relacionam com as manifestações.  Confira:

(1) a. A imensa maioria das democracias modernas desmilitarizou suas polícias ostensivas (muitosnunca tiveram polícia militar).
b. A imensa maioria das polícias do mundo tem como opção tática usar munição não letal em manifestações de rua.
Logo, não é a militarização da polícia ostensiva brasileira que explica a presença de munição não letal para reprimir as atuais manifestações.

(2) a. a imensa maioria das polícias, quando em situação de manifestações de rua, é treinada para usar munição não letal apenas quando há risco à integridade física dos manifestantes ou ao patrimônio e, sempre, depois que o primeiro cordão de isolamento policial é rompido pelos manifestantes. Além disso, nunca, jamais, em nenhum condição, usar munição não letal apontada do tórax para cima. O fabricante avisa que isso pode matar ou causar lesões graves.

E a imensa maioria das polícias do mundo existe para proteger os cidadãos, não para machucar.
b. na imensa maioria das manifestações de rua em diferentes cidades do Brasil a polícia usa de maneira indiscriminada munição não letal para “preservar” o cordão de isolamento e não depois que ele é rompido. Além disso, o cordão é posicionado em vias, interrompendo o fluxo dos manifestantes, ou seja, é feito para gerar o conflito.

Logo, o problema não é a munição não letal, mas a forma como os corpos policiais são treinados no Brasil e como usam as ferramentas de que dispõem – que por origem existem para constranger a violência, mas aqui são precursores da violência que a gente vê nas ruas.

Isso vai até ferirem gravemente ou matarem um estudante filho da classe média. Daí os comandos recuam. Infelizmente, a violência é a única língua que essa gente conhece.

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