Opinião: Intransigência do Governo Estadual mantém servidores em greve

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“Se governar fosse fácil, não seriam necessários espíritos iluminados.”
(Bertolt Brecht)

“Nas coisas humanas, não há nada mais difícil que governar bem.”
(Petrus Crinitus)

“É falta de habilidade governar com tirania.”
(Marquês de Maricá)

Há poucos dias eu publiquei um texto** onde afirmava que seria necessário um mínimo de habilidade política por parte do governo do estado do Paraná para que a situação de guerra declarada entre o governo estadual e os servidores se resolvesse. É uma situação que vem trazendo prejuízos a todas as partes envolvidas.

Para os servidores, que estão lutando pelos seus direitos e que terão que, para cada dia que a greve se estenda, repor os dias parados para que não tenham prejuízo em seus vencimentos. Greve não se faz para brincar, greve se faz para lutar e é a última alternativa utilizada pelos trabalhadores, e os servidores estaduais estão bem conscientes disso: de que todo este processo se tornou não só uma luta pelos seus direitos, mas também, após o dia 29 de abril, uma luta pela manutenção de sua dignidade.

Para o governo, que tem a sua imagem cada vez mais desgastada, não só pelo movimento, mas principalmente pela maneira com que está lidando com a situação. Táticas tragicômicas já foram executadas por parte do governo neste processo, como em um primeiro momento colocar os deputados da bancada governista dentro de um camburão, serrando as grades da ALEP para votarem um projeto em sessão secreta no restaurante da casa e, em outro momento, mobilizar um efetivo bélico ao custo de mais de quatro milhões de reais (R$ 4000000,00), para em um ato de atentado a ordem constitucional, impedir uma manifestação dos servidores em greve. Algo que levou o estado do Paraná para as páginas de jornais de âmbito mundial. E não foi para elogiar o estado e o governo que estes jornais voltaram os olhos para os acontecimentos da província paranaense.

Para a população, que pela demora na resolução da presente situação se vê cada vez mais atingida pela falta de serviços públicos que, quando funcionam normalmente, já não funcionam como deveriam funcionar devido à falta de estrutura e material humano. Imagine então quando estes mesmos serviços se encontram parados completamente.

Mas infelizmente, esta necessária habilidade política por parte do governo parece não existir, pois o mesmo não só fechou a mesa de negociação conforme noticiado há uma semana, mas mantém a intransigência em não aceitar negociar com os servidores em greve.

Ontem (19/05), na mesa que deveria ser de negociação, após um ato que reuniu mais de 30 mil servidores em Curitiba, o chefe da casa civil Eduardo Sciarra (PSD) afirmou que, o governo estadual não negociará com os servidores enquanto estes se mantiverem em greve e não apresentou nenhuma proposta que pudesse estimular os servidores a saírem da greve.

Que garantia têm os servidores de que um governo que até agora não cumpriu com suas promessas vá negociar, se estes encerrarem a greve? Com a continuidade da greve, pelo menos existe uma pressão perante o governo. Sem a greve, até mesmo isso deixaria de existir.

A impressão que se tem é que o governador, juntamente com seus assessores, quer subjugar o movimento “na marra”, como se esta fosse uma disputa pessoal entre o movimento e a pessoa do governador, e não uma situação social que atinge o estado inteiro e que necessita de um mínimo de abertura ao diálogo e habilidade política para ser solucionada.

Inclusive, é de no mínimo se estranhar, a não presença do chefe do executivo na conversa direta com os sindicatos, sempre mandando os seus representantes. O governador da mostras de, aparentemente, não se preocupar com a situação no estado.

Seria interessante que o governador deixasse de governar através do marketing e das bombas e passasse a agir como governador do estado, lembrando que governador significa tanto no latim como no grego um cargo de liderança:

Do latim: Praetor/Gubernator*** – “o que vai em frente” (que é justamente o que Beto Richa não faz ao se ausentar das mesas de negociação), “Diretor”, “Líder” (o que mais lhe falta neste momento: liderança)

Do grego: Kybernan**** – “pilotar ou ir ao leme de um navio”, “dirigir”, algo para o qual é necessário uma habilidade que o Governador demonstra não ter. Aliás, será que Beto Richa ainda pode ser chamado de Governador com “G” maiúsculo depois da maneira como vem mostrando lidar com a situação no Paraná?

Os servidores lutam pela manutenção de sua dignidade, e consequentenmente a maneira como o estado vem tratando o movimento só faz acirrar ainda mais os ânimos, que já se encontram exaltados. A solução para a atual crise se encontra nas mãos do governo, mas ao que parece o governo, devido a sua incompetência e inabilidade política, não consegue visualizar isso.

Desta forma segue a greve, com o movimento engrossando cada vez mais, ao contrário do que o governo busca com sua intransigência, uma vez que a partir da intransigência do governo, mais uma vez demonstrada no dia de ontem, começa agora a articulação e o chamado para uma greve geral dos Servidores do Paraná.

Outra consequência da intransigência do governador, da casa civil e da Secretaria da Fazenda, é o fato de que com a pressão que os servidores vem fazendo junto aos deputados estaduais, a base do governo na Assembleia Legislativa (aquela mesma base que defendia o governo até dentro do camburão) começa a se rebelar sinalizando que a pressão dos servidores em cima dos mesmos vem apresentando resultados.

Somando-se a todos estes fatos os gritos de Fora Beto Richa “pipocam” por todo o estado, em shoppings, estádios, teatros, shows musicais. A popularidade do governador cai a olhos vistos e ao que parece (em um governo pautado pelo marketing) a única solução que o governador vê para tentar reverter este quadro é gastar mais dinheiro público em propaganda e marketing. Entrando assim em um espiral que leva o estado do Paraná cada vez mais para o fundo do poço, e quem governa/segue em frente neste caminho é o timoneiro Beto Richa juntamente com seu estado maior.

Aguardemos os próximos passos, torcendo para que o Governador tenha um insight e perceba o que significa governar, e se atente para a necessária habilidade para ocupar este cargo.

** Texto disponível em: http://pasquimdooesteonline.blogspot.com.br/2015/05/cronica-servidores-x-governo-do-parana.html

*** Fonte: http://origemdapalavra.com.br/site/palavras/governador/ acessado em 20/05/2015 às 12h27

**** Idem

Por Luciano Egidio Palagano
Bacharel e Licenciado em História, correspondente do Jornal Pasquim do Oeste e colaborador do projeto Brasil de Fato Paraná

 

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