Opinião: Richa imita o sucesso de Bush

Compartilhe esta notícia.

Foto: Joka Madruga

Certa vez, li um artigo no Le Monde Diplomatique tratando do governo Bush. O presidente americano (filho) atravessava inferno astral por causa da Guerra do Iraque (2003). Após ter metido o Exército lá, não conseguir sair sem a impressão de ter sido derrotado. Era um novo Vietnã. E, para não dar o braço a torcer, continuava em campanha em sua preventiva.

A indecisão de Bush, obviamente, lhe trazia impopularidade, como registrou Jeremy Brecher: “A oposição ao conflito no Iraque já não está restrita ao movimento pacifista. Entre os próprios conservadores norte-americanos, crescem a cada dia as correntes que condenam a aventura militar do presidente e pedem o início da retirada”. Mesmo assim, ele se mantinha firme no cargo. Firme e sólido. Bush estava se lixando para o interesse público. O que lhe importava era a aprovação dos falcões. É justamente desse ponto que tratava o artigo no Diplomatique. Era outro lado da crise. Do lado dos winners. Para esses, a empreitada era de sucesso. O comércio bélico crescia, a instabilidade econômica gerava desemprego, mas mantinha os lucros. O petróleo subia, assim como os dividendos daqueles que exploram o Estado.

Pois é justamente da política do caos que Beto Richa parece sobreviver neste instante. Dane-se o Estado enquanto o andar de cima não perder. Sendo assim, a greve de mais de 60 dias, o sucateamento da segurança, saúde e principalmente educação, com o cancelamento de vestibulares, são efeitos contornáveis de sua política. O desmonte do Estado, neste sentido, é uma política de sucesso. Principalmente porque os cargos comissionados são preservados, os lucros dos especuladores também. Por isso, não surpreende que em meio a toda crise, Richa e CIA ainda encontrem aplausos “verdadeiros” daqueles que se beneficiam de seu modelo de governar para poucos. A página pessoal do governador mostra vários exemplos dessa realidade apartada, como o recente encontro com 182 prefeitos. Para a claque oficial, aquela que não perde recursos, o “melhor está por vir” já chegou.

Por outro lado, retornando ao artigo da revista francesa, o que a minoria do poder não enxerga, na ânsia de lucrar com a dor, é que um Estado não se governa apenas com poucas elites. Na medida em que Bush prestigiou os poços de petróleo, abandonou os produtores rurais. Na opção pela bala, distanciou de outros grupos econômicos pujantes, como foi citado acima. E é para o mesmo caminho que segue Beto Richa, que já vê outras elites financeiras e intelectuais se distanciarem do seu governo. Como, por exemplo, a ACP vai insistir no apoio quando seus filiados “descobrirem” que a queda das vendas é reflexo dos impostos estaduais? Como ficarão aqueles que dependiam das férias de inverno dos estudantes? Formaturas? Microempresas que dependem do comércio que gira em torno da educação?

A Richa, o filho, assim como Bush, The son, o sucesso político momentâneo deve virar fracasso eleitoral. Um padecia de dislexia. Outro, como registrou Valdir Cruz, sofre de pseudolalia. Em todo caso, a nau, em breve vai naufragar.

Por Manoel Ramires
Terra Sem Males

One thought on “Opinião: Richa imita o sucesso de Bush

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *