Pensamentos Imperfeitos: Ocupe Palácio Iguaçu

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Por Paula Zarth Padilha
Pensamentos imperfeitos (Crônicas da Paula)

Terra Sem Males

Depois de uma pausa na metade de 2015, nesta semana reabriram as portas do Palácio Iguaçu, sede do poder executivo paranaense, para a população. A chamada visita guiada acontece excepcionalmente neste fim de semana, como parte do evento Feira Gastronômica do Palácio, promovida com algum tipo de apoio da RPC TV, se considerarmos os ícones da emissora espalhados de diversas formas pela Praça Nossa Senhora de Salette, no Centro Cívico, local da feira.

As visitas são feitas em grupos de dez a quinze pessoas, de hora em hora, e para entrar no Palácio basta deixar pertences em um armário e assinar uma lista com telefone e RG. Mas pode fotografar.

A caminhada tem duração de aproximadamente 50 minutos e é acompanhada por um funcionário – que se identificou como estagiário – do Museu Oscar Niemeyer, que conta a história do Centro Cívico (o primeiro do país), do Palácio Iguaçu (inaugurado um ano após o centenário da emancipação), dos diversos salões (de atos, de inteligência, nobre, de reuniões, capela católica, entre outros), dos bustos, obras de arte e quadros diversos espalhados pela estrutura imensa e relativamente vazia.

Na entrada do Palácio, um imenso salão vazio, com uma escadaria e uma parede, também imensa, com uma obra datada de 1953, em comemoração ao centenário da emancipação do Paraná. Soubemos que aquele monumento foi a única obra entregue a tempo do centenário, pois o Palácio Iguaçu foi inaugurado em 1954, tendo um busto de Getúlio Vargas, que já não era presidente, recepcionando quem chega. Aos fundos, um imenso mapa do Paraná em relevo, com rios e planaltos, encravado no chão, identificando algumas cidades do Estado.

A mobília e tapeçaria fazem parte da conservação histórica e não podem ser tocados ou pisados. A capela (que de acordo com o guia não fica sob responsabilidade do estado laico) mantém novenas às quartas-feiras ao meio dia, aberta ao público, mas frequentada principalmente por funcionários da casa. No salão dos ex-governadores, o que mais impressiona é o retrato de Álvaro Dias (risos). Vale a pena ver. Soubemos que o retrato original era outro, que ele doou e trouxe o atual de casa (sim, é difícil de acreditar que ele mesmo escolheu a pintura que está lá exposta).

O salão nobre é lindo demais, com antiguidades mobiliárias sensacionais, como deve ser a sala de estar de castelos e palácios. A tecnologia se confunde com o acervo histórico. A sala de inteligência, para reunir o secretariado, tem um imenso telão para videoconferências e isolamento de som para a área externa, onde geralmente se concentra a imprensa à espera de algum posicionamento do governador.

Somente no segundo andar é possível perceber, de fato, que pessoas trabalham no prédio, que mais parece mesmo um museu. Lá está o gabinete do governador, então passamos pelas salas das secretárias, pela ante-sala, pela cristaleira com presentes, por mais uma imensa sala de reuniões e pudemos admirar o espaço íntimo do mandatário dentro do Palácio Iguaçu.

Os porta-retratos estão cuidadosamente posicionados para que os visitantes não possam enxergar as fotos. Isso se alguém olhar para o lado, já que o governador ostenta capacetes de corrida e miniaturas diversas relacionadas ao automobilismo mas que não reparei direito. O mais legal de conhecer no ambiente foi a visão da sacada do governador: alinhada com a avenida Cândido de Abreu, desde a Praça Nossa Senhora de Salette, passando pela Praça 29 de Março, até os olhos alcançarem a catedral, marco zero de Curitiba na Praça Tiradentes. Sim, ele pode ver tudo que acontece ali, o campo visual é imenso.

Saí de lá pensando: “imagina que louco se o governador usasse a sacada do seu gabinete para acenar para a população”.

Se você está em Curitiba neste domingo, 21 de fevereiro, corre lá para ocupar o Palácio Iguaçu. Não há previsão de quando ele será aberto novamente. A visita é gratuita e muito legal.

Em tempo: uma equipe da TV É Parana (TV Educativa, oficial do governo) acompanhou a visita do nosso grupo. Fui abordada para ser uma das entrevistada mas, ao dizer que sou jornalista, antes de mencionar “de esquerda ocupando o espaço público”, meu depoimento foi dispensado pelo colega de profissão. Ainda bem.

Confira dezenas de fotos do Palácio Iguaçu aqui.

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