PINGA-FOGO || Apesar do frio, o debate foi morno

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Por Manoel Ramires
Terra Sem Males

O primeiro debate entre as candidaturas à Prefeitura de Curitiba seguiu a tendência dos confrontos eleitorais iniciais: foi morno e superficial. Os candidatos estavam nervosos, escorregando no tempo de perguntas e respostas, além de não encontrarem o time de seus próprios discursos. O excesso de debatedores, nove, também dispersou muito a discussão. O modelo prejudicou o atual prefeito Gustavo Fruet, que pouco apareceu, sendo alvo, assim como Greca, de críticas paralelas. O debate também teve as famosas dobradinhas, em que candidatos perguntam ao adversário de forma amena.

Apadrinhados

Se o debate não produziu confrontos épicos, por outro lado, houve a tentativa de se associar candidatos a padrinhos políticos. É o caso do governador Beto Richa, que foi associado a Rafael Greca. Veneri, Xênia, Requião Filho e o próprio Fruet destacaram essa aliança. Principalmente por causa do “Massacre do Dia 29 de abril”. Outro lembrado foi o secretário de planejamento do governo estadual Ratinho Júnior. Recordação essa associada à desintegração do transporte. Em sua defesa, o afilhado Ney Leprevost demonstrou nervosismo, respondendo ao prefeito Gustavo Fruet em pergunta paralela.

Sem padrinhos

Mas o debate também teve ausências importantes. Disputado na pré-campanha, o ex-governador Jaime Lerner não foi citado nem positivamente, nem negativamente. Também passaram ilesos Dilma e Lula, que não foram atacados, nem defendidos.

Acusação socialista

Já a Lava Jato ganhou a boca de todos os candidatos na principal pérola do debate. Ao fim do 2º bloco, a candidata do PSOL Xênia Mello disse que era a única candidata não citada na operação, adotando discurso moralista e conservador. A afirmação deu direito de resposta a todos os outros oito candidatos, afinal, nenhum deles é investigado. No máximo, seus partidos.

Greca ensaboado

Rafael Greca também escorregou duas vezes no excesso de confiança. Questionado por Xênia, afirmou que ele havia construído o Cmei Centro Cívico, que sofreu com as bombas lançadas nos professores. Rapidamente as redes sociais disseram que era mentira, afinal, a obra era de Requião. Esperto, Greca se desculpou pelo ‘equívoco’ em outro bloco. Só não conseguiu fugir do confronto com Tadeu Veneri. O petista questionou proposta de asfaltar dois mil quilômetros e disse que Greca estava “vendendo terreno na lua”.

Fruet falador

Veneri também emparedou Gustavo Fruet com relação ao fechamento de berçários, assunto que o prefeito foi perguntado por mais de um candidato e não apresentou resposta, fugindo para o argumento de que zerou a demanda para quatro anos. O prefeito também se excedeu nas informações, ligando uma “metralhadora de dados” que ninguém entendia. A má estratégia foi bem captada por Veneri que lascou: “Eu não entendo o que o Fruet fala”.

Pérolas de Vic

O debate teve também momentos de constrangimento coletivo. Um candidato defendeu que a Guarda Municipal precisa ser mais bem vestida para melhorar a segurança. Já as principais pérolas ficaram com Maria Victória. A deputada se limitou a dizer que tem amigos gays quando perguntada sobre políticas para negros e LGBTT. Victoria ainda falou em comprar computadores IMAC para crianças e prepará-las para o mercado de trabalho. Detalhe, Curitiba é responsável pelo ensino fundamental, idade em que é proibido criança trabalhar, mesmo como menor aprendiz.

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