Pinga-Fogo | Corvos

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Por Manoel Ramires
Terra Sem Males

Havia achado que os corvos estavam extintos desde a morte trágica do candidato a presidente Eduardo Campos. Em 2014, muitas pessoas se aproveitaram do episódio para fazer campanha política calcada na comoção popular. Mal esperaram o corpo esfriar, a missa de sétimo dia acontecer. De selfie diante do caixão a manchetes sensacionalistas, a espetacularização foi o tom do “debate”.

Pois bem, os corvos ressurgiram com gana nos olhos e palavras afiadas para estraçalhar o corpo de um jovem morto ontem (24) dentro de um colégio por outro colega. Ambos os adolescentes vítimas, segundo a polícia, da drogadição. Algo suficiente para que o sangue quente fosse jogado de um lado a outro. Uns acusando diretamente o governador pela tragédia por não querer negociar dentro das mais de mil ocupações pacíficas. Outros, esses sim aliados do governador, querendo usar a morte de forma moralista para afirmar que as ocupações são locais de “vagabundagem, libidinação e drogadição”. E teve muita “gente de bem” usando nome de Cristo em vão. Enquanto isso, a lágrima dos familiares é só mais uma arma a ser utilizada contra os inimigos. Os corvos estão vencendo neste país.

Milícia do MBL

O Movimento Brasil Livre (MBL) tem demonstrado sua faceta mais radical desde que foi criado para fazer agitação política de direita nas ruas. Sem representação clara como sindicatos, movimentos sociais e entidades de classe, o chamado Movimento tem comprado brigas em todas as esferas e com todos os grupos. São os cães raivosos que as elites sempre sonharam formar. A dúvida é: quem paga esse “clube da luta ideológico”?

Direito a ocupar

É gravíssima a acusação de que o governador Beto Richa estaria patrocinando a truculência nas escolas. O tema foi trazido à Assembleia Legislativa pelo deputado Tadeu Veneri. Richa estaria incentivando as ações do MBL, de diretores, professores, pais e alunos a atacarem as ocupações. É a “reintegração de posse” civil e sem previsão legal.

Ocupar Direito

Diante das tentativas de invasões das escolas ocupadas, o coletivo “Advogados pela Democracia” criou um comunicado padrão para avisar sobre os direitos dos estudantes e alertar aqueles que provocam confusão. A notificação destaca que “as ocupações são questões a serem resolvidas exclusivamente pela via judicial nas ações de reintegração de posse já em trâmite”.

Nota Ocupa Paraná

“Apesar das diversas correntes de ódio que tomaram conta do estado no dia de hoje (24), nós do movimento Ocupa Paraná não queremos e nem vamos culpabilizar ninguém pelo acontecido. Neste momento queremos apenas prestar solidariedade à família de Lucas, família que perde um dos seus para o ódio, para a intolerância e para a violência”, diz a nota do movimento Ocupa Paraná.

Ocupa mais

No calor do dia de ontem (24), a reitoria da Universidade Federal do Paraná foi ocupada por estudantes de pedagogia. O lema é: para cada escola desocupada outras duas serão ocupadas.

 

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