Pinga-Fogo: Desgoverno Temeroso

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pinga fogo

Por Manolo Ramires
Pinga-Fogo
Terra Sem Males

1 – Os dias do governo interino e golpista de Michel Temer não começaram bem. Deu ruim a tentativa de associar a Dilma à crise do país. O mote: “Não fale de crise, trabalhe!” é mais uma trapalhada de um governo ilegítimo que se desmancha no ar. E não adianta a operação abafa Lava Jato do governo, tampouco a tentativa de blindagem da mídia para fazer com que o povo e a opinião pública internacional reconheçam Temer e companhia.

2 – O dólar não baixou, a bolsa de valores não subiu num passe de mágica. Mas isso é apenas mais uma mentira das histórias contadas pela oposição para afastar Dilma Rousseff. A outra é que um governo forte e com apoio emergiria a partir de um ministério de notáveis. Notáveis só em sua composição, masculina, rica, conservadora e branca. O povo não está representado. As mulheres não estão representadas. O governo só representa a si. E isso fortalece o discurso contra o temeroso Temer.

3 – Ora, a falta de mulheres não é problema, argumentam paneleiros. É sim. A ausência mostra a capacidade desse governo de construir maioria compondo com diversos setores da sociedade. Como um chefe de estado justifica que uma nação em sua maioria feminina não consegue ter lideranças – em seu campo político – capazes de assumir poder? Isso faz lembrar o setorial de negros do PSDB comandado por um branco. Ou o setor feminino deste mesmo partido que trocava o debate político por receitas de comida. Contudo, as mulheres, sejam de esquerda, sejam liberais, não querem ficar reféns dos homens. E Michel perde por achar que o modelo de sua casa pode se aplicar na vida pública.

4 – Perde também por enxugar ministérios sem trazer nenhuma economia substancial às contas da União. Caiu por terra um dos maiores “dogmas” liberais da atualidade: “o Estado inchado é responsável pelo desiquilíbrio financeiro”. Discurso para coxinha ver e repetir, uma vez que o reajuste do judiciário, pago pelo Estado, não foi vetado. Coxinhas esses constrangidos pelo fim do Ministério da Cultura. Que país no mundo culto sobrevive sem desenvolver políticas culturais?

5 – Mas o fim do MinC e da Controladoria Geral da União não são os únicos problemas de Temer. O maior deles, embora a blindagem da imprensa golpista busque não pautar, é um governo formado por corruptos. Sete ministros citados na Lava Jato. Dois deles com foro privilegiado saindo do forno e ministro da Justiça que advogou para o PCC. Para os paneleiros, tudo bem. Para a imprensa internacional e manifestações dos movimentos sociais, é combustível para o #ForaTemer. MBL e Vem Pra Rua não tem ânimo para combater esse lado da corrupção, mas também não tem coragem de ir às ruas defender.

6 – E esse combustível vai pegar fogo quando o povo se ligar que seus direitos estão sendo retirados a toque de caixa. Toda turma que ficou “de boa” ou não entendeu o que estava rolando vai subir nas tamancas quando a sua prestação do Minha Casa, Minha Vida for reajustada, quando souber que o remédio dele não chegou porque Temer tirou dinheiro da saúde, quando reportagens começarem a mostrar depoimentos de gente humilde comendo areia ou dividindo farinha entre oito bocas. Aí, nem a mídia vai conseguir abafar a batata assando do Temeroso.

7 – Mídia essa acuada por seus colegas internacionais e pelas redes sociais. Por mais que façam vista grossa, logo logo vão ter que noticiar as manifestações diárias contra Temer. Por bem ou por mal. Principalmente porque os protestos nas ruas associam os grandes veículos ao golpe e as manifestações nas redes tem virilizado ações em canais oficiais. A Rede Globo, principal veículo da conspiração, já está sendo vítima. Diversos programas e páginas estão sendo ocupadas por “vomitaços” coletivos. E a tendência é de as manifestações crescerem com escrachos públicos em aeroportos e em frente as entidades e nas mídias digitais. A Temeroso só resta o terror da repressão.

 

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