|PINGA-FOGO| Parem as votações e os debates

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Por Manolo Ramires
Terra Sem Males

A Câmara Municipal de Curitiba entrou em recesso. Ninguém trabalhar por lá até 31 de julho. É um mês inteirinho sem sessões plenárias, audiências públicas e debates a não ser que o prefeito, o presidente da Casa ou 13 vereadores (por meio de requerimento) peçam regime de urgência. Quer dizer, ninguém trabalha uma pinóia. O recesso é parlamentar, não administrativo. Isso significa que os servidores da CMC e os gabinetes ficam abertos em expediente normal. É uma boa hora para ver o que vossas excelências fazem nos bastidores. Projetos de iniciativa popular, por exemplo, podem ser protocolados na Casa para serem debatidos após o recesso.

Parou em alta

Antes do recesso, a Câmara Municipal realizou importante audiência pública sobre a Cultura do Estupro. O evento se realiza em meio a inauguração da Casa da Mulher Brasileira, que unifica serviços do governo municipal, estadual e federal, no combate à violência contra a mulher. Talvez se insere em um debate nacional, uma vez que o deputado de ultradireita Jair Bolsonaro é réu por apologia ao estupro (e à Ditadura Militar) ao dizer que não estupraria a deputado Maria do Rosário “porque ela é feia”. A cultura do estupro que também está na Câmara Municipal, segundo Vanda de Assis, do Cefuria.

– Ninguém vai se dizer favorável à cultura do estupro, mas na prática, o que vemos são situações como a que ocorreu nessa casa, durante a votação do Plano Municipal de Educação, em que palavras como ‘gênero’ e ‘diversidade’ foram eliminadas do texto final” – alfinetou Vanda.

Parou em baixa

Com a interrupção dos trabalhos, o mundo pode vir a baixo que não será discutido pelos representantes do povo. Os debates meio que se congelam, as demandas urgentes ficam em compasso de espera. Um desses temas trata do parcelamento da previdência dos servidores municipais. O prefeito Gustavo Fruet, após dar calote que já passa dos R$ 250 milhões, agora quer parcelar a dívida em 60 vezes. Quer, portanto, comprometer os dois próximos gestores. Essa pauta é uma das que reabrem a CMC em 1o de agosto.

Outro tema é a regulamentação do Uber. Nas ruas, os taxistas têm feito verdadeira caça as bruxas aos motoristas do aplicativo. Na Câmara, a discussão só volta depois das férias do plenário. Por enquanto, a matéria está na Comissão de Serviço Público, que pediu informações à URBS. Após a resposta sobre a regulamentação (que se espera não esteja em recesso também), essa comissão delibera, passando a bola para a Comissão de Urbanismo e chegar ao plenário. Por outro lado, com paradinha ou não, o Uber não está na agenda de votação.

Paradinha estratégica

Quem gostaria de uma paradinha estratégica são os deputados estaduais. Principalmente a base governista. Principalmente porque o governador Carlos Alberto Richa já ensaia novo calote nos servidores estaduais. Ou paga o reajuste que finalizou a greve de 2015 ou as progressões e crescimentos dos professores. A “opção” mandrake, em um estado rico, segundo o governador, é mais uma batalha que os deputados do camburão preferem não travar. Mas como a paradinha na AlePR é menor, de 18 a 31 de julho, os deputados se programam para um culto evangélico no dia 6, mantém o grupo de oração às terças-feiras e se preparam para audiência pública sobre o “BBB do ônibus escolar” com a instalação de câmaras de segurança dentro dos veículos.

Paradona

Parada mesmo está a Câmara dos Deputados. Tudo por causa de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que visa se salvar no Conselho de Ética e derrubar Valdir Maranhão para emplacar um novo presidente da Casa aliado seu e com apoio de Michel Temer.

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