|PINGA-FOGO| Sai do muro

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Se o assunto é golpe, o prefeito Gustavo Fruet e o deputado Requião Filho estão numa sinuca de bico. E ambos nem podem pedir ajuda aos “universitários”

 Por Manolo Ramires
Pinga-Fogo
Terra Sem Males

Tá certo que muita gente não está nem aí para a eleição municipal. A pauta do momento ainda é o golpe parlamentar, a Operação Lava Jato e as tramoias de Eduardo Cunha e Michel Temer para ficarem no poder. Contudo, esses temas vão respingar na eleição de outubro. Retorne Dilma Rousseff ao poder e chame novas eleições ou fique no Planalto o “sindicado de ladrões”, os prefeitáveis serão chamados a se posicionar. Alguns já falam; outros, matutos, esperam pelo sabor dos ventos. Estão “murando”.

Da turma contra o golpe tem os pré-candidatos Xênia Mello (PSOL) e o deputado estadual Tadeu Veneri (PT). É certo que este não é um tema preferencial dos socialistas paranaenses. Principalmente porque rechaçam o governo Dilma Rousseff. Contudo, em Brasília, contra Cunha e Temer, os deputados do PSOL são os mais aguerridos. Já nas Araucárias, Xênia Mello de vez em quando manda um #foratemer. Não está no muro, mas também não está longe. Tadeu Veneri, com seu perfil aguerrido e sem medo de entrar em uma batalha, se posiciona fortemente contra a saída de Dilma Rousseff. O deputado, que é referência no combate à corrupção, participa de atos e posta nas redes sociais as armações da turma de Cunha e Cia para tomar o poder. “Murar”, portanto, nunca foi uma opção do petista.

Do outro lado do muro também tem pré-candidatos firmes em sua posição. O nome mais forte é de Fernando Francischini. O deputado federal pelo Solidariedade (de Paulinho, aliado de primeira linha de Eduardo Cunha) cresceu na política fazendo campanha anti-PT. Seu eleitorado vibra com suas postagens contra o ex-governo e ele, é claro, votou a favor do processo de impedimento.

Agora, tem uma turma que anda meio calada sobre o assunto: são eles Rafael Greca, Ney Leprevost, Gustavo Fruet e Requião Filho. Greca, por exemplo, tenta surfar apenas na onda do #voltacuritiba, seu mote pré-eleitoral. Por outro lado, sua base vai se formando com apoios conservadores e de políticos pró-golpe. São os casos dos deputados federais Christiane Yared e Luciano Ducci, que votaram pró-golpe. Ducci, por exemplo, Greca criticava fortemente em 2012, mas oportunamente virou aliado. Já Ney Leprevost não faz do debate nacional seu cavalo de batalha. Pelo menos não diretamente. O deputado estadual é defensor da Lava Jato, tira fotos com Sérgio Moro e faz o combate “conservador” à corrupção. Seu partido (PSD), no entanto, outrora base de Dilma, embarcou de cabeça na administração interina de Michel Temer.

Agora, vida fácil não tem o atual prefeito Gustavo Fruet e o deputado estadual Requião Filho. Estes estão convictos do muro e de lá só descem quando os jornalistas perguntarem demais. Fruet, por exemplo, foi se desvinculando do PT e de Dilma na medida que entrava água na canoa do governo federal. Mas lá atrás, quando o impedimento era só especulação, ele participou de ato de prefeitos em apoio à presidente. Mudou o governo, mudou a postura. Não a do muro, uma vez que Gustavo Fruet é indeciso por convicção. O que está diferente é sua relação com o governo golpista, o qual ele tenta manter diálogo. Recentemente, na inauguração da Casa da Mulher Brasileira, o prefeito de Curitiba esboçava um sorriso amarelo ao ver os representantes do governo interino cancelarem a participação no evento por causa de protestos. Escracho que de fato ocorreu com mulheres lembrando a todo momento que o local foi idealizado e pago por Dilma Rousseff, presidente que Fruet não tem mais relações.

Sinuca de bico igual a Requião Filho também não tem. Ele tenta a todo custo “imitar” o perfil aguerrido do pai. Mas no tema golpe, tem saído pela direita. Ou seria murado como ninguém? Líder da oposição, não aprofunda sobre o golpe quando o assunto ganha os microfones da Assembleia Legislativa do Paraná. Requiãozinho se limita a dizer que se houve crime de responsabilidade, é impeachment, e que ele apóia a saída de Beto Richa pelo mesmo motivo. O pior é que não pode nem pedir ajuda à família, uma vez que o primo, João Arruda, votou sim e o pai, o Senador Roberto Requião, é um dos generais contra o golpe no senado. Nessa indecisão, Requiãozinho perde apoio da esquerda, que não ficará no muro.

Nem Uber, nem taxi

O muro é, com certeza, o local que o prefeito Gustavo Fruet mais aparece na foto. Após a batalha entre motoristas de taxi e uber, o prefeito, por ser prefeito da cidade, foi cobrado a tomar uma posição. O deputado e pré-candidato Tadeu Veneri chamou para o debate: “É preciso que a Prefeitura se posicione. Ou proíbe em definitivo ou regulamenta com debate entre todos os interessados. O que não dá é fazer de conta que nada acontece”, cobrou. Fruet, por sua vez, se limitou a eleger o sistema de táxi, que detém uma poderosa categoria organizada, e a dizer que “esse tema (Uber) não é prioritário nem pauta número um da cidade”.

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