Podemos tirar, se achar melhor

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1 – A Polícia Militar do Paraná apresentou mais uma versão de que foi emboscada. “Vazou” um áudio com um suposto depoimento de um sem terra que participou da ação. A imprensa logo comprou a versão da Secretaria de Segurança. Secretaria essa que há quase um ano dizia que foram os professores que provocaram o confronto no Centro Cívico. Governo este que disse ter black blocs infiltrados na greve. Mas a versão “oficial” tem uma vantagem dessa vez: quase que exclusividade na produção de deturpação de conteúdo. Ano passado, em Curitiba, os black blocs eram meninos com lenços. Os coquetéis molotov eram espigas de milho. Os policiais feridos foram atingidos por groselha ou pelo seu próprio armamamento.

2- Assim como em 2015, o Governo do Paraná amanhece em um local fortemente aparelhada para o combate. A justificativa do coronel Lee para a presença do efetivo na praça foi a realização de um briefing, recepção. Mais uma vez, a versão é para garantir a segurança. Mais uma vez aponta para milicias nas falas, reproduzidas pela imprensa, mas não comprova nada. Mais uma vez criminaliza uma movimentação política, seja ela de professores, seja ela de produtores rurais. O modus operandi não muda, apenas se trocam os personagens.

3 – E na estratégia de criar fatos que corroborem sua ação violenta, a PM colhe depoimento de um suposto sem terra sem a presença de um advogado de defesa. As perguntas são feitas quase que para uma resposta preparada. Tudo bem ensaiado. O rapaz diz: “um engraçadinho atirou para cima e o policial revidou”. Contudo, as marcas de bala na S10 sugerem mais de 30 tiros no revide. Em seguida, no depoimento, o rapaz afirma que o primeiro tiro partiu do rapaz que “morreu, que entrou em óbito”. Rapidamente, uma terceira voz assopra aos quarenta segundos: “com o revólver na mão”. E o depoente repete: “com o revólver na mão”.

4 – O que o áudio não revela, nem imagens ainda foram apresentadas à imprensa, é que na versão do rapaz que “morreu com o revólver na mão” não se aborda o tiro pelas costas e a bala na nuca. Por isso, a versão do MST, que requer exumação do corpo para comprovar em que condições se deram as mortes. Mas, na construção das versões, a criminalística levou 24 horas para chegar ao local. O local foi isolado sem acesso da imprensa e dos próprios produtores rurais sem terra. Nessa história toda com cara de “podemos tirar, se achar melhor”, falta apenas um “cara, foi excelente”, ao final do áudio. Precedentes para isso, todos já conhecemos.

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