Pressão popular faz Temer convocar base aliada para pedir aprovação da Reforma da Previdência

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Michel Temer pediu aos deputados de sua base que aprovem a Reforma da Previdência e transmitiu anúncio ao vivo pelas redes sociais

Na manhã desta terça-feira, 11 de abril, a assessoria oficial da presidência transmitiu ao vivo discurso de Michel Temer em reunião com líderes da base aliada na Câmara Federal e membros da comissão da Reforma da Previdência.

Em uma clara resposta à pressão popular contra a Reforma da Previdência vista nas ruas de todo o país, transformada em pressão aos deputados que votam na Câmara Federal a reforma, Temer argumenta que “quatro cinco pontos levantados estão sendo negociados com as bancadas e resolvemos mais uma vez fazer a chamada e o convite para que os senhores estejam conosco novamente”, referindo-se ao pedido para que a Reforma da Previdência seja aprovada pelos deputados.

Enquanto o discurso era transmitido ao vivo, a assessoria oficial de Temer publicava em seu twitter, também oficial, frases que não são equivalentes às declaradas pelo presidente no vídeo, disponibilizado no facebook do Palácio do Planalto.

Acesse aqui o vídeo 

 

Enquanto no twitter as declarações dão conta de “estabelecer o salário mínimo para pensões e para o benefício das pessoas com deficiência”, as declarações de Temer foram “Ressaltando mais uma vez que isso não vai alcançar os povos, porque quem ganha salário mínimo está garantido e é um número infindável”, sem especificar.

No vídeo, Temer também não menciona professores, policiais ou trabalhadores rurais. O que Temer faz é um jogo de palavras para tentar reverter a negatividade da resposta popular ao ponto que a reforma estabelece 49 anos de contribuição para se aposentar e, ainda, trata como pormenor a idade mínima de 65 anos.

“Queria ressaltar que os senhores agora estão sendo atendidos pelo relator, vai elaborar seu relatório sem quebrar a espinha dorsal da previdência e basicamente se atem à questão da idade. Em vários países a idade mínima nunca é inferior a 65 anos. Nós queremos buscar aprovação por meio do diálogo, entre nós e os membros da sociedade, eu verifico há esta possibilidade”, disse.

Sobre os 49 anos de contribuição: “Nós até mudamos no relatório. Se você tiver 25 anos de contribuição, você se aposenta com 76%. Se você contribuir 35 (anos), você se aposenta com 86%. Estas verdades sendo colocadas como estão sendo divulgadas começam a fazer o convencimento”, afirmou Temer, mas sem ainda chegar na aposentadoria integral em nenhum cenário.

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles utilizou um seminário promovido pelo jornal O Globo sobre a Reforma da Previdência para afirmar, na segunda-feira (10), que a reforma não vai prejudicar os trabalhadores de menor renda e que as regras atuais beneficiariam quem tem renda maior e consegue permanecer mais tempo no mesmo emprego.

De acordo com a Agência Câmara de Notícias, o deputado Carlos Marun (PMDB-MS), presidente da comissão especial que discute a reforma da Previdência (PEC 287/16), afirmou na segunda-feira (10) que as mudanças no texto original apresentado pelo Executivo são viáveis. Ele informou que a previsão é que o relatório seja apresentado no dia 18 de abril e o texto seja votado na comissão especial até o dia 27.

Por Paula Zarth Padilha
Terra Sem Males, de Curitiba
Foto: Marcos Corrêa/PR

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