PROPOSTA ABAIXO DA INFLAÇÃO REVOLTA CATEGORIA BANCÁRIA

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Na noite da última quinta-feira, 01 de outubro, durante assembleia dos bancários da base de Curitiba e região, mais de 400 trabalhadores rejeitaram a proposta patronal e aprovaram por unanimidade greve por tempo indeterminado. A paralisação começa na próxima terça-feira, 06 de outubro, com indícios de indignação e forte adesão para enfrentamento aos banqueiros.

As instituições financeiras são as que menos sentem a chamada crise que ronda o país. Ou melhor, bancos até utilizam o fator crise para justificar fechamento de vagas e a proposta de reajuste de 5,5%, muito abaixo da inflação calculada para a data-base da categoria, que fechou 01 de setembro em 9,88%. Mas a realidade é que os lucros dos bancos só aumentam. Divulgados a cada trimestre, crescem assustadoramente enquanto outros setores perdem.

“Alguém aqui aceita reduzir o salário em 5%? Na prática, é isso que os bancos nos oferecem”, questionou um bancário durante a assembleia.

Para “justificar” o reajuste abaixo da inflação, os bancos ofereceram um abono de R$ 2.500. “Aceitar abono é retroceder às negociações dos anos 1990”, declarou um bancário.  

Lucros continuam crescendo

De acordo com dados do Dieese, os cinco maiores bancos que operam no País (Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa) lucraram R$36,3 bilhões no primeiro semestre de 2015, um crescimento de 27,3% em relação ao mesmo período do ano passado.

O líder do ranking há alguns anos é o Itaú, que lucrou R$ 11,9 bilhões no período, valor 25,7% maior que no mesmo período de 2014. E estamos falando de lucro líquido. O ranking dos maiores bancos segue com Banco do Brasil (R$ 8,8 bilhões), Bradesco (R$ 8,7 bilhões), Caixa (R$ 3,5 bilhões) e Santander (R$ 3,3 bilhões). Até mesmo o banco HSBC que apresentou prejuízo em 2014 se recuperou nos primeiros seis meses de 2015 e lucrou R$ 31,8 milhões.

O bancário tem a palavra

“Eu queria pedir aplausos para os bancários do HSBC, que estão passando por esse desgastante processo de venda do banco”, falou outro bancário, fazendo alusão ao medo de demissões em massa, que mesmo negadas pelas diretorias do Bradesco (comprador) e do HSBC, ronda a cabeça de quem está lá dentro.

“Eu não sou pelego, não vou trabalhar com acesso remoto durante a greve”, falou muito emocionado um trabalhador do HSBC, denunciando práticas dos bancos privados, ano a ano relatadas pelos sindicatos, como a contingência em outros locais, trabalho de madrugada, trabalho em casa. Bancário que não é de banco público tem medo de retaliações, de perder o emprego, e geralmente segue orientações desse tipo durante os movimentos grevistas.

“Greve está na cabeça e consciência de cada um”.

“Pode ser uma campanha cansativa, mas temos que ir motivados”.

“Temos sexta, sábado, domingo e segunda para conversar com colegas para fazer a greve por adesão”

Os participantes da assembleia fizeram uso da palavra para mobilizar, para fazer a greve além da representação sindical. Para demonstrar a indignação com uma proposta de remuneração aquém da capacidade dos banqueiros. Para mostrar a tentativa de achatamento de salários no setor que mais cresce na crise. Para demonstrar a preocupação dos trabalhadores dos bancos públicos com diversos projetos de lei que escancaram perda de direitos.

“Vocês do Banco do Brasil que trabalham em shoppings, não adianta se esconder. Quando vier a terceirização, nós estaremos incluídos nela, não adianta fugir”, alertou um dos diretores do sindicato.

“Dia 6 não é dia de colocar serviço em dia na agência, não é dia de marcar viagem, de dormir até mais tarde. Temos que ir lá na praça Carlos Gomes em frente à Caixa fazer a greve”, convocou um dirigente sindical.

Sobre a categoria bancária

Curitiba e região metropolitana têm 18.525 bancários atuando em 539 agências e centros administrativos. Além do reajuste de salários e benefícios, os bancários lutam por melhoria nas condições de trabalho, com mais contratações e menos rotatividade, que permitam atendimento adequado à população.

A categoria tem como principais problemas a cobrança de metas relacionada à venda de produtos, ação que adoece os bancários e causa afastamentos por doenças psíquicas. Além disso, as condições de segurança não são as melhores. Os bancários têm estudos sobre como melhorar a segurança nas agências bancárias para trabalhadores e clientes, mas os bancos insistem em apenas consertar estragos ao invés de investir em soluções.

O presidente do Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região, Elias Jordão, disse que a categoria está mobilizada e pronta para a luta. “Nós ficamos insatisfeitos com essa provocação disfarçada de proposta. Acredito que os trabalhadores e trabalhadoras vão aderir em massa nesta greve”.

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Acesse aqui o álbum de fotos da assembleia

 

Por Paula Zarth Padilha
Terra Sem Males

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