Que o governo Bolsonaro acabou só ele e seus herdeiros não perceberam

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por Fernando Lopez | Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Renúncia e Salvação.

As reações do Congresso e do STF às últimas diatribes do Executivo deixam claro que não há mais governabilidade possível. Os dias de contemporização acabaram. Só a caserna lhe dá sustentação.

Mesmo os mais ensandecidos bolsonaristas já perceberam isso.
Os que lucraram com o fenômeno da ascensão de extrema-direita que varreu o Brasil em 2018 ainda tentam manter viva uma estratégia que não funciona mais. É uma gente outrora insignificante que ganhou projeção e cargos – eletivos ou não – surfando nas ondas do bolsonarismo, no discurso do ódio e da ignorância, normalizado nas falas e atitudes do então candidato.

Esses aproveitadores sabem que a morte política do líder maior é também a sua e tentam desesperadamente salvar seus interesses políticos e financeiros.

Existem também aqueles que chamamos – não carinhosamente – de “gado”, com pedido de escusas aos ruminantes. É aquela gente que segue a palavra, como se evangelho fosse. São os que vão às ruas exigir o direito de morrer infectados, na esperança da cura prometida pelo Messias, seja ela cloroquina ou vermífugo Anitta.

Foram os outrora Aecistas, “pessoas de bem”, autointitulados patriotas agora transmutados em Bolsonaristas, juntos por uma causa que lhes possibilitou assumir publicamente seus medos, frustrações, individualismo e ignorância.

Para ambos os grupo, só a renúncia de Bolsonaro trará a redenção.

Explico.

Mesmo antes da chegada do coronavírus por aqui, o governo Bolsonaro já fazia água. O Titanic da estupidez.

Um PIB atolado próximo de 1%, um câmbio que caminhava rapidamente ao recorde histórico, uma taxa de desprego totalmente consolidada no topo do aceitável.

Não havia nenhum projeto de crescimento, de desenvolvimento nacional. Apenas uma sucessão de propostas criadas para agradar o mercado, às custas do trabalhador.

Era um modelo insustentável. Não pela sua capacidade destrutiva, mas pelo esgotamento da capacidade do chefe da nação de esconder suas muitas incapacidades.

Bolsonaro montou uma equipe para destruir o Brasil em quatro anos. O coronavírus apressou o fim da aventura.
O que podia ser destruído foi.

Agora, só resta ao líder maior da seita renunciar ao cargo. Fazer um sacrifício para salvar seu “legado”.

O Bolsonarismo não é um fenômeno do mundo da política. Não é um partido ou uma ideologia. Ele não existe no arcabouço institucional. O Bolsonarismo é outsider. É o erro coletivo que de tempos em tempos aparece na cena pública, aglutinando os que se sentem prejudicados. No caso específico, prejudicados pela impossibilidade de expressarem abertamente sua pouca inteligência, mínima decência e nenhuma empatia.

Se Bolsonaro insistir em continuar presidente, as aberrações de cada dia cobrarão seu imposto, diminuindo sua capacidade de sobreviver politicamente e principalmente – no que parece ser importante para ele – impactando a viabilidade política de seus muitos filhos.

Só a renúncia salva a mitologia criada em torno do capitão expulso do exército. De preferência uma renúncia cinematográfica, dramática, com pitadas de conspiração, talvez com um remake do suspeito atentado que o levou ao poder, uma Via Dolorosa trilhada pelo redentor dos patriotas.

Bolsonaro tem que renunciar para poder continuar seu legado. Renunciar para poder continuar sendo a opção dos imbecís. Renunciar para continuar sendo o novo Doutor Éneas, aquele que nunca foi obrigado a fazer o que prometia. A eterna promessa.

Renunciar para que não fique ainda mais evidente a farsa que ele realmente é.

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