Sabatina pra quem não tem medo

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Por Manoel Ramires
Terra Sem Males

O Sismuc realizou sabatina com as candidaturas à Prefeitura de Curitiba. O evento, realizado na APP-Sindicato, teve objetivo de discutir as principais pautas de interesse dos trabalhadores municipais. Os temas debatidos foram os Institutos de Saúde e Previdência, concurso público, terceirizações, orçamento, carreira e saúde do trabalhador. Além de sabatinar os candidatos, o sindicato entregou duas cartas compromisso e as plataformas eleitorais da CUT e Confetam. Os candidatos também receberam um exemplar do livro “Crônicas dos Excluídos”, que aborda a maior greve do serviço público municipal de Curitiba. O recado foi dado. O recado foi filmado para que ninguém no futuro diga que não disse o que falou.

Dos nove candidatos, seis foram. Três faltaram. Afonso Rangel foi o único que havia marcado presença, mas não compareceu na última hora. Ele alegou problemas de saúde e faltou. As outras duas ausências são de Rafael Greca e do prefeito Gustavo Fruet. Nesses casos, a desculpa é sempre o problema de agenda. Greca trocou a discussão com o sindicato que representa mais de 25 mil dos 34 mil servidores pelo samba.  Ele foi a evento da escola de samba Embaixadores da Alegria. Já Fruet, que mais uma vez tentou enviar o vice ao debate com o sindicato (fez o mesmo em 2012, quando enviou Mirian Gonçalves à sabatina dos municipais), preferiu participar de um culto em homenagem à Igreja Presbiteriana da Silva Jardim.

Colou no Richa

A ausência de Rafael Greca foi observada por todos os candidatos. Assim como sua aliança com o governador Beto Richa. De Xênia Mello a Ney Leprevost, passando por Tadeu Veneri, Requião Filho, Ademar e Maria Victória, todos destacaram a incoerência do candidato que quer retomar o poder ao clã mais conservador de Curitiba. Destaque para a crítica de que Beto Richa, aquele de bate em professores, tem colocado toda a máquina do governo estadual, por meio dos comissionados, na defesa de seu candidato. Richa é a mão invisível que balança a campanha de Greca.  Neste sentido, todas as candidaturas apelaram para o voto em si, permitindo a ida ao segundo turno contra o candidato da velha política, embora “fofinha”.

Fruet, o medroso

Gustavo Fruet tinha muito mais a ganhar do que perder indo a sabatina do sindicato. O encontro foi amistoso, não tendo sequer um pedido de direito de resposta. Era o momento ideal para, como um “republicano” que julga ser, explicar os calotes no IPMC, semelhante ao que Richa fez no estado, mas sem violência, discutir porque Curitiba constrói equipamentos, mas reduz a quantidade de servidores públicos, explicar o que aconteceu no caso de assédio na URBS, a sua relação com as terceirizações, o ICI, o contrato do lixo e orçamento público. Mas Fruet fugiu, como é de costume. Não aproveitou o momento em que poderia reduzir a distância de Greca ou ainda inibir o crescimento dos adversários. Concorrentes esses que terá que pedir apoio e voto, junto com os municipais que abandonou, no possível segundo turno. O vacilo faz com que ele seja abandonado pelos votos e campos políticos que abandonou.

Aliás, o sindicato não se surpreendeu com mais essa fuga. Todos os confrontos de ideias mais fortes que ambos tiveram que ter, o prefeito se ausentou. Ele apenas mantém o padrão que agora não ilude os municipais.

Atrasadinhos

Se três faltaram, três chegaram atrasadinhos. O encontro, marcado para as 15 horas, começou com Ademar, Tadeu Veneri e Requião Filho. No começo da primeira pergunta chegou a candidata do PSOL, Xênia Melo. Mais tarde, chegou Maria Victoria, do PP. Por fim e quase no apagar das luzes, chegou Ney Leprevost. Todos os candidatos atrasados tiveram a oportunidade de responder a pergunta que pegaram no meio

Engraçadão

Requião Filho é o candidato sexy appel dessas eleições. Ele arranca suspiros e fotos do eleitorado, principalmente o feminino. Além disso, busca se assemelhar muito ao estilo de seu pais, com piadas sarcásticas e ironias. Celebrou quando Tadeu Veneri respondeu uma pergunta antes, pois poderia “copiar”, riu quando Ademar comentou que Requião estava usando metáforas dele e distribuiu “metralhadora” quando Xênia se exaltava, principalmente contra o PT. O momento alto do stand up ocorreu após Xênia chamar Michel Temer de golpista. Requião Filho lacrou: “Ela chama meu amigo Michel Temer pelo o que de fato é”, concordou sob aplausos. Com relação as pautas, repetiu o discurso do programa eleitoral: vou conversar bastante.

Candidata zap zap

A candidata do PP, filha do ministro da saúde Ricardo Barros e da vice-governadora Cida Borguetti, parece querer trilhar seus caminhos na política de forma bem assessorada. A cada pergunta que era feita, ela “colava” do celular a resposta, citando pautas dos trabalhadores. Mas quando abandonava o Iphone, derrapava muitas vezes na resposta. Isso ficou evidente na pergunta sobre saúde do trabalhador, que trata de condições de trabalho, e ela respondeu sobre UPAs e Unidades Básicas. Com colinha do zap zap ou não, teve coragem de enfrentar ambiente hostil para inclusive defender parcerias públicos privadas e compra de vaga em creche particular.

Falou pouco, mas agradou

Ney Leprevost chegou à sabatina na quarta pergunta. De cara afirmou que apesar de não ser o candidato natural daquele encontro, respeitava a iniciativa do sindicato e se comprometeu em receber os trabalhadores na primeira semana, se eleito.  Depois aproveitou o tempo que teve para espinafrar Greca, citando sua aliança com Beto Richa, e criticar a ausência de Gustavo Fruet. Ney sabe que ele tem condições de ir ao segundo turno, substituindo o atual prefeito. Por isso, pisou em ovos nas respostas que pudessem desagradar um eleitorado de esquerda.

Domínio da pauta

Xênia Mello e Tadeu Veneri demonstraram conhecimento da pauta dos municipais. A primeira enfatizando na carga emotiva e na relação próxima como usuária dos serviços públicos. O segundo demonstrando experiência e conhecimento de quem já foi vereador em Curitiba e tem como eleitorado o funcionalismo público. No conteúdo, ambos têm concordância sobre os Institutos, sobre orçamento público, sobre credores e devedores da Prefeitura de Curitiba. O que os diferencia é a maior experiência de Veneri no debate político e sua capacidade de se contrapor a outros candidatos como quando explicou que as terceirizações e PPP tem objetivo de lucrar e não de melhorar a vida da população.

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