Seminário em Curitiba prepara trabalhadores para lutar contra a PEC 287

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Evento contou com uma seleção de especialistas em sistema previdenciário

Texto e foto por Marcio Mittelbach

Centenas de trabalhadoras/es de todo o Paraná participaram no último sábado, 4 de março, do Seminário “Reforma da previdência ou fim da aposentadoria?”. Organizado por entidades como o SindSaúde, Sismmar, SindiTest,  Apuf-PR entre outros, o evento transformou o Teatro do antigo CEFET, em Curitiba, em um grande debate sobre o direito à aposentadoria.

Entre o timaço de palestrantes estava o economista da Auditoria Cidadã da Dívida, Rodrigo Ávila. Para ele, existem outros interesses por trás do discurso de que a Previdência está quebrada. “O que se pretende é tirar mais dinheiro dos trabalhadores e destinar mais para o pagamento da dívida pública, que está nas mãos dos banqueiros”, denunciou o especialista.

Outro argumento utilizado por Ávila é o levantamento feito pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), que concluiu que grandes empresas e bancos devem ao INSS R$ 426 bilhões. Esse montante equivale a três vezes o chamado déficit da Previdência em 2016.​

 Ainda durante a primeira mesa do evento, quem abrilhantou o debate foi a professora da UFRN Rivania Moura, que trouxe importantes informações para contrapor os argumentos do governo. “Em 2015, o valor médio das aposentadorias pagas pelo INSS foi de R$1.200. E 70% das aposentadorias eram de até três salários mínimos. Essa reforma PEC é um desastre social dos mais graves”, alertou a professora.

Maldades – O segundo momento do Seminário contou com a participação do advogado Ramon Bentivenha. Ele analisou a estratégia adotada pelo governo Temer para convencer a população. O advogado observou que o governo fala em crise, “mas foram gastos R$ 55 milhões só em publicidade envolvendo a Previdência. A receita é antiga: vídeos com textos curtos, mas afirmativos e infográficos simples pra tentar convencer a população”.

Outra discussão tratada por Bentivenha foi com relação à perspectiva equivocada de que o envelhecimento da população necessariamente fará a arrecadação diminuir ano a ano. “Um dos argumentos contra essa tese é o do ‘bônus demográfico’. Ou seja, existem cada vez mais jovens no auge de suas carreiras. E isso pode representar um salto na força de trabalho até 2030. Caberia ao Estado investir pesado em educação e fazer disso uma oportunidade inclusive para a Previdência.”

Mulheres – ​A mesa de debate coordenada pela diretora do SindSaúde, Monica Glinski,  trouxe a situação das mulheres diante da Proposta de Emenda Constitucional – PEC 287. O debate ficou por conta da Ana Paula de Simone, dirigente da Intersindical e da Elaine Pelaez, assistente social e especialista em Saúde Pública.

As mulheres são as maiores prejudicadas pela PEC 287, por conta da fixação em 65 anos de idade para aposentadoria de homens e mulheres. “Caso aprovada, a mudança nas regras representará um aumento no tempo de contribuição para as mulheres entre cinco e quinze anos. Isso numa realidade em que elas ganham em média 30% menos que os homens e realizam 50% a mais das tarefas domésticas”, apontou Pelaez.

Todas/os por um – A etapa final do Seminário foi destinada à troca de experiências e opiniões sobre como a luta deverá ser feita daqui pra frente. Ficou ressaltada a necessidade de ​realizar a luta com atividades unificadas, tanto no dia 8 e no dia 15​ de março. Temos de usar todas as formas de mobilização com panfletagens nas ruas. Ou agitamos o Brasil ou a reforma derrotará nossos direitos.

A greve geral está em nosso horizonte como instrumento para segurar essa proposta de desmonte da aposentadoria. Vamos dizer não a PEC 287! Todos estão convocados a defender a aposentadoria dessa e das próximas gerações!

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