Senadores da comissão do impeachment também são acusados de corrupção e crimes

Compartilhe esta notícia.

Pelo menos dois terços dos membros são acusados de algum crime. Muitos deles na Lava Jato.

Por Manoel Ramires
Terra Sem Males

O Senado elegeu os 21 membros da comissão de impeachment que vai analisar a admissibilidade do processo contra a presidente Dilma Rousseff.  Se aprovado nesta comissão, o processo vai para plenário onde precisa de 41 votos para aceitar o processo e afastar preventivamente Dilma. Para cassar o mandato são necessários 54 votos.

O presidente da comissão é Raimundo Lira. Contra ele não pesam acusações de corrupção. O mesmo não pode ser dito de outros membros. Pesquisa feita pelo Terra Sem Males aponta que 14 senadores também são investigados por corrupção. Os acusados envolvem todos os blocos da comissão, passando por defensores do golpe, do governo e blocos independentes. Os senadores estão na acusação da Lava Jato ou envolvidos em algum tipo de improbidade administrativa. Destaques para senador o acusado de proteger o trabalho escravo (Ronaldo Caiado) e para o senador dono de helicóptero apreendido com 500 quilos de cocaína (Zezé Perrela).

Confira a lista dos senadores acusados de algum tipo de crime:

Simone Tebet (PMDB-MS) – É alvo de ação civil de improbidade administrativa com dano ao erário e crimes de responsabilidade. A justiça determinou a indisponibilidade de bens da senadora.

Dário Berger (PDMB-SC) – Condenado, em primeira instância, ao pagamento de multa por improbidade administrativa na Prefeitura de São José (SC) e por irregularidades na contratação de empresa privada para a realização dos serviços de coleta de lixo reciclável. É réu em ação penal por dispensa irregular de licitação, fraude de licitação e crime de responsabilidade por apropriação ou desvio de bem público.

Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) – Foi citado na operação Lava  Jato acusado de receber R$ 500 mil em propinas para obter contratos com a Petrobrás. O senador teria recebido R$ 300 mil pelo Caixa 1 e R$ 200 mil em Caixa 2. Seu nome também é ligado ao escândalo de corrupção do metrô tucano em São Paulo, chamado de “propinoduto tucano”.

Antonio Anastasia (PSDB-MG) – É suspeito de receber propina no esquema de corrupção comandando pelo doleiro Alberto Youssef. O senador teria recebido R$ 1 milhão em 2010. Os dados foram obtidos durante a 7a fase da Lava Jato.

Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) – Teve o mandato de governador cassado em ação de investigação judicial por abusos de poder econômico e político, captação ilícita de sufrágio e conduta vedada a agente público.  É réu em ação civil de improbidade administrativa movida pelo Estado da Paraíba.

Membro da comissão do impeachment no Senado, Cunha Lima já foi cassado por unanimidade pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) quando era governador da Paraíba, em 2008, por abuso de poder econômico e político e uso indevido de dinheiro público. Entre os ilícitos cometidos pelo tucano está distribuir 35 mil cheques pela Fundação de Ação Comunitária durante a campanha eleitoral de 2006. Seu vice, José Lacerda Neto (DEM), também foi obrigado pela Justiça a deixar o cargo.

Ronaldo Caiado (DEM-GO) – Foi acusado pelo ex-senador cassado Demóstenes Torres de ter sido financiado pelo contraventor Carlos Cachoeira nas campanhas que disputou à Camara Federal nos anos de 2002, 2006 e 2010.  De acordo com a ONG Repórter Brasil, a família do senador integra a “lista suja” do trabalho escravo. O senador foi contra a PEC do trabalho escravo, que punia com mais rigor quem lançava mão do trabalho escravo.

Gleisi Hoffmann (PT-PR) – É alvo de inquérito aberto com a Operação Lava Jato da Policia Federal, que investiga esquema de corrupção e lavagem de dinheiro com recursos desviados da Petrobras.

Lindbergh Farias (PT-RJ) – Responde a cinco processos na justiça. É alvo de inquérito por crimes de responsabilidade, crimes na Lei de Licitações e emprego irregular de verbas públicas em Nova Iguaçu. Foi citado na Lava Jato por propina de R$ 2 milhões.

Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE) –  É alvo de inquérito aberto com a Operação Lava Jato da Policia Federal, que investiga esquema de corrupção e lavagem de dinheiro com recursos desviados da Petrobras. Por decisão do STF, a Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão na residência do parlamentar. Ele teria pedido R$ 20 milhões para campanha de Eduardo Campos para governador em 2010, segundo Paulo Roberto Costa.

Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) – É investigada por captação ilícita de votos em inquérito movido pelo Ministério Público Eleitoral.

Ana Amélia (PP-RS) – Foi acusada de ser funcionária fantasma em 1986. A senadora tinha cargo em comissão, acumulando essa função com o cargo de diretora da Sucursal do Grupo RBS, em Brasília. Também foi acusada de ter uma fazenda de 1,9 mil hectares omitidas de declaração de bens à justiça eleitoral.

Gladson Cameli (PP-AC) –  É alvo de inquérito aberto com a Operação Lava Jato da Policia Federal, que investiga esquema de corrupção, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro com recursos desviados da Petrobras. Ele é citado por Paulo Roberto Cunha. Também foi acusados de dirigir embriagado quando era deputado. O processo foi revertido em prestação de serviços à comunidade.

Wellington Fagundes (PR-MT) – Foi alvo de inquérito que apura peculato. O processo segue em segredo de justiça. Em outro processo, ele teria contribuído para que o então prefeito de Rondonópolis (MT) desviasse verbas do Ministério da Integração Nacional.

Zezé Perrella (PTB-MG) – O parlamentar foi condenado em ação de improbidade administrativa movida pelo MPF à suspensão dos direitos políticos por três anos e a pagamento de multa por ocupação ilegal de apartamentos funcionais, de propriedade da Câmara dos Deputados. Perrela também é dono de helicóptero apreendido pela Polícia Federal com 500 quilos de cocaína em 2013.

(A pesquisa foi baseada em dados disponibilizados pelo site Transparência Brasil, que compila dados oficiais, e no caso da operação Lava Jato, em informações disponibilizadas pelo Ministério Público Federal e Justiça Federal)

anuncio-tsm-posts

One thought on “Senadores da comissão do impeachment também são acusados de corrupção e crimes

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *