Ser jornalista na América Latina é risco de morte

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Brasil ocupa o 3º lugar como país mais violento do continente em relação a perseguição a jornalistas

No dia 29 de abril, vários jornalistas foram agredidos pelo governo de Beto Richa (PSDB), no massacre da PM contra os servidores públicos. Imagem: Luiz Carlos de Jesus

A Venezuela é apontada como um pais que vive uma ditadura que persegue jornalistas, mas os números desmentem isto. Segundo a ONG Repórteres Sem Fronteiras, México, Colômbia e Brasil são os países mais perigosos para a imprensa. Entre janeiro de 2000 e setembro de 2014 foram assassinados 81 jornalistas no México, 56 na Colômbia e 38 no Brasil.

Na Palestina, Líbia, Síria, Ucrânia, Iraque e Afeganistão também se registra uma elevada cifra de ataques a profissionais do jornalismo que tentam contar a realidade de seus países, constantemente atacados pelos EUA, Israel e outras potencias ocidentais.

A preocupação desta organização, que levantou estes dados, é que nenhum dos três países na ponta deste ranking está em guerra com outra nação. Colômbia vive um conflito armado há mais de 50 anos e o México tem sérios problemas com cartéis de drogas. E o que mais preocupa nestes países é falta de vontade política em resolver os crimes e não ter um judiciário eficiente.

Nesta listagem não aparece a Venezuela. Ou seja, no país bolivariano não há perseguição a jornalistas com motivação política. Tanto que existem vários jornais, rádios e redes de televisão que são oposição ao governo chavista de Maduro. E não sofrem nenhum tipo de ingerência da presidência daquele país. São livres para comunicar.

No dia 12 de fevereiro, jornalistas foram atingidos por balas de borracha quando cobriam a greve dos servidores estaduais. Foto: Joka Madruga

2014

Em 2014, foram assassinados 66 jornalistas no mundo, 7% a menos do que no ano anterior. Mas houve um aumento expressivo de 37% no número dos sequestros de jornalistas no ano passado.

Ainda em 2014, a Síria continuou sendo o país do mundo com o maior número de jornalistas assassinados. Foram 15 profissionais. O segundo do ranking da RSF é a Faixa de Gaza, na Palestina, com 7 assassinatos, seguido do leste da Ucrânia com 6, do Iraque e da Líbia, ambos com 4 mortes. A maior parte dos assassinatos ocorreram em zonas de conflito.

Além dos crimes contra a vida dos profissionais foram registrados 119 sequestros, 178 prisões, 853 detenções, 1.846 ameaças ou agressões e 134 procura por exílio.

Jornalistas pedem o fim da perseguição em ato realizado em Curitiba, no dia 03 de maio de 2015. Foto: Joka Madruga.

Sequestros

Os sequestros de jornalistas saltaram em 2014, com um acréscimo de 37% das ocorrências. Foram 119 casos este ano, contra 87 em 2013. Ucrânia, Líbia, Síria, Iraque e México, nesta ordem, registraram o maior número de repórteres sequestrados. Na lista de zonas mais perigosas para o exercício da profissão aparecem, na ordem: Iraque, Síria, Líbia, Paquistão e Colômbia.

Brasil

A ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF) informa que o Brasil ficou com o terceiro lugar no registro de mortes de jornalistas na América Latina, com 38 assassinatos entre 2000 e 2014. Na lista de vítimas se encontram jornalistas, blogueiros, comunicadores sociais e colaboradores de veículos de mídia.

O que mais preocupa os jornalistas brasileiros, segundo a ONG, são os traficantes e os “coronéis” da política que impõe um clima de terror aos profissionais. Segundo a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), só durante a Copa do Mundo de 2014 foram registradas 19 agressões a jornalistas.

A RSF encaminhou no dia 01 de junho deste ano uma carta aberta à presidenta Dilma Rousseff, exigindo que o governo brasileiro “se comprometa a tomar medidas concretas e eficazes para combater a violência contra os jornalistas”.

Paraná

Na terra das araucárias, tem aumentado as perseguições, ameaças e agressões a jornalistas. O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná incentivou a criação de um Comitê Regional de Proteção ao Jornalista. Participam deste movimento organizações não governamentais de direitos humanos, sindicatos, parlamentares, entidades do movimento estudantil e instituições públicas.

Para contribuir com a luta pela liberdade de imprensa, foi criado um site para disponibilizar documentos e realizar denúncias. Clique aqui acessar.

Gustavo Vidal, presidente do Sindijor, fala na manifestação dos profissionais de imprensa do Paraná contra as agressões e perseguições, no dia 03 de maio de 2015. Foto: Joka Madruga.

Clique aqui para ver o infográfico da RSF.

Joka Madruga
Terra Sem Males, com informações do Reporters Sans Frontieres, Abraji e Sindijor-PR

Edição: Paula Zarth Padilha

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