PINGA-FOGO || Uma lição de educação

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1 – A educação é um dos principais temas em todo debate eleitoral. Contudo, a falta de informação e conhecimento sobre a sua estrutura demonstra como ela é tratada de forma superficial. De um lado, os governistas empurram dados que só podem ser checados ou rebatidos por especialistas. O que vai muito além de trinta segundos de um comercial de TV. De outro lado, candidaturas ao cargo executivo propõe coisas inviáveis ou que já existem como escola integral. Nessa lição, ninguém de fato ensina muito.

2 – O atual prefeito de Curitiba-PR Gustavo Fruet, em sua apostila eleitoral, afirma que valorizou a educação como ninguém antes. Aborda que destinou 30% para a educação, fez o plano de carreira, zerou as filas para quatro anos e ainda construiu novos equipamentos. Essa lição está certa. No entanto, na escola de pensamento crítico, tem muita coisa que não entrou na prova.

3 – Fruet tirou de suas páginas eleitorais que os avanços vieram à base de muita pressão das educadoras em duas greves. Elas chegaram a se acorrentar para serem recebidas pelo “querido prefeito”.

4 – Em outra matéria, a conta não fecha. Se Fruet zerou vagas de quatro e cinco anos, foi porque fechou vagas em berçários municipais. Mães com bebês de três meses e seis meses perderam empregos porque não tinham onde deixar filhos. Bebês de meses muito diferentes foram colocados em mesma sala, sobrecarregando educadoras.

5 –Já no exercício de construir novos equipamentos, Fruet “esqueceu” de contabilizar novos profissionais. O concurso não atendeu a demanda, sem contar os diversos afastamentos para tratamento de saúde de uma equipe sobrecarregada. Tanto é que a Prefeitura de Curitiba não garante 20% de hora atividade. Quiçá 33%, como pedem as profissionais.

6 – Agora, se o prefeito mudou o nome da profissão, não colocou como disciplina pautas aprovadas por ele no “plano de ensino” para a educação. Tanto é que a consulta pública que definiria a direção de cmeis não progrediu. Muito menos a aposentadoria especial. Parece que o prefeito faltou nessa aula.

7 – Por outro lado, seu principal concorrente, dado a intelectual, mostra desconhecimento da educação pública. Para Rafael Greca, o importante é mudar o nome de cmei (centro municipal de educação infantil) para creche. Greca diz que o nome é marketing petista. No entanto, a tentativa de ser popular o reprova na lição como mestre. Cmei, diferente de creche, tem como pedagogia investir na valorização das professoras de educação infantil e entender o processo de aprendizagem e estimulo desde o berçário. Não à toa, as professoras dizem que o papel delas é “cuidar e educar”. Será que Greca decorou que seu padrinho político, Beto Richa, e o seu novo aliado, Luciano Ducci, também se referiam ao local como cmei?

8 – Greca, aliás, parece ser adepto da “Escola Sem Partido”. Em entrevista a um jornal de Curitiba, o candidato disse que as mulheres serão amadas e não precisa se falar em “empoderamento”. Greca, que afirma conhecer tão bem a cidade, desconhece que a maioria dos funcionários municipais são mulheres e que ganham menos do que homens? Desse jeito corre o risco de ser reprovado nas urnas também.

Em tempo, como nos ensina a leitora Mary Dal Bosco: Creche é a instituição de educação para crianças até três anos. Pré-escola é a instituição de Educação para crianças de quatro a cinco anos. Quando abrange a creche e a pré-escola é privada chama-se centro de educação infantil – CEI; quando é pública, chama-se centro municipal de educação infantil – CMEI. Esta é a definição dada pela LDB de 1996, quando o PT não estava no governo.

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